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Ilustrada
11/12/2007 - 09h35

Bienal acaba domingo com balanço positivo

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MARIO GIOIA
da Folha de S.Paulo

Incluída às pressas, uma sala que homenageia o arquiteto Vilanova Artigas, com um vídeo "perdido", é um dos achados da 7ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, que termina no próximo domingo.

Em um balanço geral, houve avanços nessa edição em relação à Bienal passada: a comunicação visual está mais clara; a montagem de André Vainer e Guilherme Paoliello é mais aberta e possibilita uma circulação melhor; patrocinadores e espaços expositivos não dividem os mesmos andares.

No entanto, as salas de arquitetos convidados estrangeiros -entre eles, nomes de destaque no cenário internacional, como Steven Holl e Joan Busquets- decepciona, com várias delas exibindo apenas painéis, sem textos e maquetes que os acompanhem.

O espaço inesperado de Artigas (1915-1985) inclui um vídeo surpreendente, de autoria dos arquitetos Eduardo Jesus e Fernando Frank Cabral. A produção, com cerca de 20 minutos e feita em super-8, foi produzida em 1978 pelo Idart (Departamento de Informação e Documentação Artísticas), vinculado à Secretaria Municipal de Cultura. No órgão, o vídeo não foi localizado, mas havia um copião com Jesus.

"Estava perdido em uma gaveta, e o tempo já tinha feito seus estragos", diz ele. "Convertemos para DVD, mas os títulos, por exemplo, não foram recuperados."

O vídeo consiste em um depoimento despretensioso (mas nem por isso desinteressante) do arquiteto, em seu escritório, além de imagens daquela que seria sua principal obra: o prédio da FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo), na Cidade Universitária, um dos principais exemplos do brutalismo no Brasil. Artigas explica a concepção do edifício e a reforma que empreendeu no currículo do curso de arquitetura, em 1962, que inovou o ensino da atividade no país.

"Eu sou um artista ignorante (...). Isso me faz muito bem", diz Artigas na produção. "É um dos raros depoimentos em que ele fala da FAU. Conseguimos colocar na Bienal uma semana antes dela começar, foi uma montagem feita às pressas", conta Jesus.

Também são exibidos dez desenhos, que pertencem ao acervo da FAU, e uma exposição de 28 projetos do arquiteto, apresentada inicialmente em 1982. Artigas não surpreendeu apenas com sua sala. O crítico italiano Francesco Dal Co, ex-curador da Bienal de Arquitetura de Veneza e um dos principais palestrantes estrangeiros do evento, visitou a FAU. Depois, ao iniciar conferência no Fórum de Debates da Bienal, disse: "Experimentei uma das mais profundas sensações de minha vida".

Ao lado da montagem de Artigas, há os outros dois destaques do andar. O espaço do Instituto Berlage, em Roterdã, reservou um projeto ambicioso de alunos de pós-graduação, orientados pelos professores Pier Vittorio Aureli e Martino Tattara, a respeito de Brasília.

O estudo inclui a integração do plano-piloto da cidade com o entorno das cidades-satélite, com a criação de uma fronteira "verde", de pátios que ligariam espaços urbanos e de um edifício de grandes proporções. Já a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) apresenta uma sala com belas maquetes e painéis de algumas das principais casas modernas no Estado, com destaque para projetos de Affonso Eduardo Reidy (1909-1964) e Francisco Bolonha, entre outros.

No segundo andar, imperdíveis são as representações nacionais. Com grande destaque, a apurada presença de Portugal, repetindo o espaço que expôs na Trienal de Lisboa, em julho. As ousadas salas da Áustria e da Holanda, junto das corretas representações da Argentina, do México e da França, são mais bem-sucedidas que as malas de alumínio com projetos alemães e a confusa sala sul-africana.

Entre os brasileiros, há as boas montagens da sala especial de Oscar Niemeyer -com o projeto original do Ibirapuera, que incluía o projeto de um monumento- e dos espaços de Roberto Loeb, Paulo Bruna e do escritório carioca Coutinho, Diegues e Cordeiro, no segundo andar da mostra.

7ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo

Quando: de ter. a qui., das 12h às 22h; sex., sáb. e dom., das 10h às 22h; até 16/12
Onde: Pavilhão da Bienal (parque Ibirapuera, portão 3, tel. 3259-6866 e 5576-7645)
Quanto: R$ 12
Avaliação: bom

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