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12/12/2007 - 18h38

Leia trecho de livro sobre Oscar Niemeyer

da Folha Online

O livro "Oscar Niemeyer", escrito por Ricardo Ohtake e editado pela Publifolha, apresenta um relato dos cem anos de vida do arquiteto.

Leia a seguir um trecho do livro que trata de algumas das obras mais significativas de Niemeyer, como o Sambódromo do Rio de Janeiro e o Memorial da América Latina, em São Paulo.

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Sambódromo e CIEPS

O retorno definitivo ao Brasil se daria em 1974, quando Niemeyer já se aproximava dos 70 anos de idade. Ele morou em Paris durante dois anos e, apesar de não reclamar, sentiu muita falta do Rio de Janeiro. Os amigos, a família, as pessoas, o calor, a paisagem, a vista da praia lhe são fundamentais.

Divulgação
Livro descreve a obra e a trajetória de 100 anos de Oscar Niemeyer
Livro descreve a obra e a trajetória de 100 anos de Oscar Niemeyer

O Sambódromo, a primeira grande obra de Niemeyer na administração estadual do Rio de Janeiro de Leonel Brizola e Darcy Ribeiro, foi erguido em três meses, com grandes estruturas de aspecto leve. Sob as arquibancadas, foram criadas salas de aula, para garantir o uso permanente desse equipamento urbano. O projeto, uma passarela de 600 metros de comprimento, com 30 metros de largura, abre-se em uma área ampla, chamada de Praça da Apoteose, onde se ergue um grande arco com três pés, que assinala de longe este local dos desfiles de escolas de samba no carnaval carioca. Os Centros Integrados de Educação Permanente (CIEPs) foram outra criação do primeiro governo Leonel Brizola no Rio de Janeiro, em um programa idealizado e dirigido por Darcy Ribeiro, que implantou 500 Centros em todo o Estado, preferencialmente em bairros carentes de escolas, cultura, alimentação, esportes e lazer. Os alunos passavam lá o dia todo; recebiam uniforme, material escolar, café da manhã, almoço, lanche e banho antes de voltar para a casa, no final da tarde.

A arquitetura foi digna e igual em todos os CIEPs, com um sistema pré-fabricado para o volume de classes, de dois pavimentos, fachadas de concreto aparente e janelas com cantos arredondados. Para compor o conjunto, Niemeyer propôs uma quadra esportiva com a cobertura solta das classes, uma estrutura mais alta e aberta. Entre um Centro e outro, variou o comprimento do pavilhão das salas de aula e a posição relativa dos dois volumes, dependendo do terreno e do número de alunos.

Os CIEPs tornaram-se forte presença da educação pública, em meio às caóticas, miseráveis e tantas vezes abandonadas paisagens das cidades. Uma arquitetura reproduzida pelo sistema de pré-fabricação, que possibilitou a construção de 250 Centros muito rapidamente, em menos de três anos - ou seja, dois Centros por semana.

Memorial

A pedido do governo Orestes Quércia, foi construído o Memorial da América Latina, em São Paulo. Niemeyer pediu a Darcy Ribeiro para ajudar na formulação do programa, em seis volumes arquitetônicos, com uma característica forte - a viga de grande dimensão, chegando a 90 metros comprimento, sustentada por dois pilares altíssimos, formando um H, externo à edificação. A laje de cobertura apóia-se nesta viga, fazendo uma curva que desce até o piso, cujo desenho é um volume muito ousado e curioso, jamais visto, nem no próprio vocabulário de Niemeyer (embora, de forma menos evidente, seja da família do auditório da Universidade de Constantine, na Argélia).

Os volumes estão em uma praça cimentada, que caracteriza e demarca este amplo espaço urbano, lembrando as antigas praças italianas, como a piazza de São Marcos, em Veneza, e as praças hispano-americanas de Lima, no Peru, e da Cidade do México, porém num espaço irregular, com uma via que o divide ao meio. Os volumes são dispostos segundo uma composição moderna, na qual os cheios (volumes) e os vazios (pisos) têm uma ordenação livre, extremamente harmônica.

O Salão dos Atos, a Biblioteca Latino-Americana e o Teatro - com suas duas platéias e um palco entre elas, sob amplos espaços de teto curvo - todas são construções urpreendentes pelas formas inusitadas que adquiriram. Até hoje, no entanto, pouco uso se deu ao Memorial, pensado no espírito da unidade latinoamericana, fundamental para fortalecer as nações do continente. O Centro de Estudos Latino-Americanos permanece sem condições de promover os seminários, as trocas de criações artísticas, as visitas de dignatários, a formação de coleções de obras e a realização de conferências e debates para que foi pensado.

Porém, as exposições de artesanato latino-americano foram de alto nível cultural. Já a transformação do restaurante em salão de exposições não justificou ainda o esforço. Em 2005, após os serviços de manutenção, inicia-se pela primeira vez, após dois anos da inauguração, uma atividade cultural maior.

O Caminho Niemeyer, em Niterói

O Museu de Arte Contemporânea, em Niterói, foi iniciativa do prefeito Jorge Roberto Silveira, que pediu que se erguesse, na orla, o novo espaço para exposições e coleções de artes plásticas das últimas décadas. Na margem da Baía de Guanabara, de onde se vê o Pão de Açúcar de frente, o Museu de Arte Contemporânea (MAC) tem a forma de uma flor ou de um cálice, instalada sobre um apoio apenas. O Museu tem dois pisos de exposições e uma varanda, que circunda o andar superior, com vista para o mar, a orla e ao fundo o Rio de Janeiro, numa implantação arquitetônica surpreendente.

Para entrar no Museu, percorre-se uma escultórica rampa, curva e irregular, que dá uma volta completa, convidando o visitante a ter uma visão panorâmica da paisagem e do volume arquitetônico. O espaço de exposição é redondo e livre, permitindo organizar a sala conforme as conveniências de cada mostra. Esta obra colocou Niterói no roteiro de visitas para quem vai ao Rio de Janeiro, reproduzindo um fenômeno que tem acontecido com várias obras importantes da arquitetura contemporânea, em relação às cidades onde estão localizadas. Ciente deste fato e da possibilidade de dar maior estatura a Niterói, o prefeito criou um projeto ambicioso, o Caminho Niemeyer, constituído por uma série de equipamentos em um conjunto do qual faz parte a Estação de Barcas de Charitas e que, percormiolo rendo aproximadamente dois quilômetros, passa pelo Museu do Cinema Brasileiro, ligado à Universidade Federal Fluminense, até chegar à Praça do Caminho Niemeyer, o seu grande centro, onde estarão a Catedral Católica, o Teatro Popular, o Memorial Governador Roberto Silveira, a Fundação Oscar Niemeyer e a Catedral Batista. Cogita-se ainda uma Mesquita Muçulmana e uma Sinagoga Judaica. Este é um conjunto excepcional, que será administrado por diferentes instituições e construído pela prefeitura de Niterói.

O Teatro e a cúpula da Fundação Oscar Niemeyer estão (em fins de 2006) com a estrutura totalmentem pronta, e o Memorial Roberto Silveira já tem o auditório, o hall e o espaço de informática finalizado - ou seja, está em funcionamento. A Catedral Católica é constituída por uma estrutura curva triangular, um tripé, de 60 metros de altura, que sustenta de cima e pelas laterais a cúpula, meia superfície esférica, solução estrutural com desenho complexo e elaborado, que resolve a questão da torre e da cobertura.

No Teatro, a cobertura ondulada é baixa no hall, côncava sobre a platéia e alta no palco. A novidade da solução é o fato de as lajes do hall e da platéia serem suspensas, abertas nas laterais, ou seja, o volume do teatro não é totalmente fechado, o que promove rara leveza. A rampa para se chegar ao hall desenha uma semivolta desde o piso; é ao mesmo tempo o passeio preparatório para a entrada no recinto e uma escultura, para quem vê de longe.

Obra singela, o Memorial Roberto Silveira é coberto por uma calota, que guarda uma série de computadores para acessar a vida do importante governador do Estado; descendo alguns degraus, em um piso formado de curvas, há um pequeno auditório.

"Oscar Niemeyer"
Autor: Ricardo Ohtake
Editora: Publifolha
Páginas: 112
Quanto: R$ 17,90
Onde comprar: Nas principais livrarias, pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Publifolha

Comentários dos leitores
LINS / SP
Conheço in loco várias obras projetadas pelo
endeusado Niemeyer ; quase todas são do tipo
"o belo antonio" do cinema italiano , muito bonito
mas não funciona .
Os arquitetos de maneira geral privilegiam a estética, e negligenciam a funcionalidade !
sem opinião
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Pedro Paulo Palazzo (1) 28/12/2007 11h06
Pedro Paulo Palazzo (1) 28/12/2007 11h06
BRASILIA / DF
O chauvinismo brasileiro é realmente triste! Basta um arquiteto ficar famoso para ele ser endeusado. Os projetos são perfeitos, as construtoras é que não prestam... Sei... Quando vamos aprender que Niemeyer, JK, Zumbi e tantos outros "heróis" nacionais eram seres humanos falíveis, como todos nós? 20 opiniões
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dinarte bonetti (6) 15/12/2007 16h42
dinarte bonetti (6) 15/12/2007 16h42
Tao grande como sua obra arquitetonica, é sua dimensao humana.
Esse o maior legado que voce vem nos dando.
Seus cuidados com Luiz Carlos Prestes, sua visao de justiça para com os despossuidos
do nosso planeta, sua conduta profissional, jamais pensando em aposentadoria,
seu projeto dos Cieps, "esquecidos" pela midia, seu comunismo no mais puro
e verdadeiro sentido, sao exemplos que marcaram e darao rumos a todos os
homens que buscam justiça social.
PARABENS OSCAR NIEMEYER!!!!!!!!!!!!!
quer bom que voce existe.
19 opiniões
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