Ilustrada
13/12/2007 - 08h42

Em carreira solo, Chris Cornell toca hoje em SP

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MARCO AURÉLIO CANÔNICO
da Folha de S.Paulo

Os fãs brasileiros já o esperavam há 16 anos, quando ele estourou com o Soundgarden; depois, torceram por sua vinda com o Audioslave, do qual fez parte até este ano; mas é como artista solo que o norte-americano Chris Cornell vem pela primeira vez ao país.

"Não fazíamos muitas turnês fora dos EUA com o Soundgarden e, com o Audioslave, queríamos ir, mas não tivemos a oportunidade", disse Cornell à Folha, por telefone.

Sandro Campardo/AP
Cantor Chris Cornell se apresenta hoje no Credicard Hall, em São Paulo; é a primeira vez que o músico norte-americano vem ao Brasil
Cantor Chris Cornell se apresenta hoje no Credicard Hall, em São Paulo; é a primeira vez que o músico norte-americano vem ao Brasil

"Uma vez que fiquei sozinho, foi só pedir para o meu agente marcar uma visita à América do Sul. Como artista solo, posso ir mais facilmente aonde quero. É importante poder tocar para os meus fãs onde eles estiverem." O cantor e compositor, que se apresentaria ontem no Rio, toca hoje no Credicard Hall, em São Paulo, oficialmente para divulgar seu disco solo "Carry On", lançado neste ano --o segundo de sua carreira, após "Euphoria Morning" (1999).

Mas, como o disco é só razoável e sua base de fãs vem mesmo de suas ex-bandas, o repertório do show passa por hits como "Black Hole Sun" e "Outshined" (do Soundgarden), "Cochise" e "Like a Stone" (do Audioslave), indo até o Temple of the Dog ("Hunger Strike").

Evolução

Além da saída do Audioslave (que acabou por "conflito de personalidades", diz Cornell), este ano marcou o 20º aniversário da carreira musical do cantor, que se diz em ascensão. "Houve uma evolução bastante óbvia nas letras. Até 1992 eu era mais focado em tocar guitarra e compor, fui aprendendo enquanto fazia no Soundgarden. Hoje em dia não acontece mais de criar uma boa melodia e ter de esperar pela inspiração para uma letra."

Falando sobre arrependimentos, Cornell é bem pontual. "A única coisa que me incomoda é o disco do Soundgarden com a SST Records ["Ultramega OK", 1988], que teria ficado muito melhor se nós o tivéssemos feito sozinhos em Seattle ou com Jack Endino, com quem fizemos as demos, que ficaram muito melhores."

A época de ouro do grunge, no começo dos anos 90, parece realmente ter deixado saudades em Cornell, que lembra da união entre as bandas da cena. "Em Seattle, todas aquelas bandas, Mudhoney, Nirvana, Soundgarden, Pearl Jam, éramos realmente amigos, nos encontrávamos todo dia, ouvíamos música, viajávamos."

O saudosismo fica mais evidente quando ele compara suas relações com seus ex-colegas de banda. "Minha relação com eles é OK, mas não é como se fôssemos grandes amigos ou nos encontrássemos direto."

Chris Cornell

Quando: hoje, às 21h30
Onde: Credicard Hall (av. das Nações Unidas, 17.955, tel. 0/xx/11/ 6846-6010)
Quanto: R$ 70 a R$ 250

 

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