Morre Afonso Brazza, o bombeiro que virou cineasta em Brasília
da Folha OnlineMorreu ontem à noite o cineasta Afonso Brazza, 48, o bombeiro que, com baixos orçamentos, fazia filmes trash em Brasília. No ano passado, ele ganhou uma retrospectiva na cidade e teve seu último filme, "Tortura Selvagem - A Grade", exibido no circuito de arte em São Paulo.
Divulgação ![]() |
| Affonzo Brazza, em cena de "Tortura Selvagem" |
O corpo do cineasta deve ser velado na Academia do Corpo de Bombeiros, que fica no Setor Policial Sul, em Brasília (DF).
Ele nasceu em São João do Piauí (PI), morou em São Paulo e trabalhou com o cinema na "Boca do Lixo" paulista, onde se fascinou pela arte e conheceu sua atual mulher, Claudette Joubert, com quem tem uma filha.
Brazza dirigiu seis filmes, todos com menos de R$ 100 mil. Ele era conhecido como "Rambo do cerrado" porque, em suas fitas, sempre mostrava bangue-bangue e mortes, além de ser, em todas, o herói.
Em "Tortura Selvagem", Brazza contou com o apoio de amigos, que sempre participavam de seus filmes sem cobrar cachê, como José Mojica Marins, o Zé do Caixão, e personalidades políticas e artísticas da cidade, como a filha do governador Joaquim Roriz (PMDB), Liliane, e o cantor Rodolfo, ex-Raimundos.
O cineasta levantava o dinheiro para fazer seus filmes com a venda de fitas de vídeo e com a ajuda dos próprios amigos. Ele usava películas velhas, sem qualidade, para filmar, e todos os personagens eram dublados. Para seu último longa, ele obteve um prêmio de incentivo da Secretaria da Cultura, fazendo de "Tortura Selvagem" seu mais caro filme, de cerca de R$ 200 mil, com cenas registradas de um helicóptero, entre outras ousadias.
Com o filme, ele levou mais de 3.200 pessoas ao Cinemark de Brasília em 2001, um recorde em sua carreira.
O corpo de Brazza será enterrado hoje à tarde no cemitério do Gama, cidade satélite de Brasília, onde ele morava com a família.
Leia mais
Especial


