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Grafiteiros vendem gravuras na internet
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TEREZA NOVAES
da Folha de S.Paulo
Eles estão nos muros das grandes cidades do mundo e, embora muita gente ainda torça o nariz, ganham cada vez mais o status e o prestígio de grandes artistas. Depois de freqüentar galerias de arte, os grafiteiros se tornaram objetos do desejo de colecionadores -com preços que seguem a crescente demanda.
Mas essa nova geração defende que sua arte (ou pelo menos parte dela) deve ser acessível ao público. E, para isso, nada melhor que a internet, onde cresce o número de galerias virtuais especializadas na venda de gravuras realizadas por grafiteiros.
| Divulgação |
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| Stephan Doitschinoff assina gravura à venda na galeria Choque Cultural; obras custam R$ 90, em média, mas atingem até R$ 600 |
O britânico anônimo Banksy é um deles. No site Pictures on Walls (www.picturesonwalls.com), há gravuras dele à venda por preços entre 250 libras e 600 libras (R$ 900 e R$ 2.160, respectivamente).
Pode até parecer muito dinheiro, mas uma obra de Banksy, feita a partir de um estêncil, foi vendida por 66,5 mil libras, ou R$ 240 mil, na última quarta-feira, em Londres.
A pechincha, no entanto, é limitadíssima. Todas as gravuras assinadas por ele estão esgotadas. A dica do site é entrar no "mailing list" e esperar um aviso de chegada de novas obras.
Não são apenas as obras de Banksy que acabam rapidamente no Pictures on Walls. As do brasileiro Titi Freak levaram três horas para esgotar.
Titi foi escolhido pela produtora do site para ser comercializado por eles. No Brasil, ele é representado pela Choque Cultural, galeria pioneira em arte originada do grafite.
A galeria já editou mais de cem gravuras, com no máximo 150 cópias. "Os estrangeiros compram metade da produção", diz Baixo Ribeiro, um dos donos. Inglaterra, Espanha, França, Alemanha, Japão, EUA são os principais mercados.
A grande procura pelos trabalhos dos brasileiros fez com que a galeria criasse um site para vendas no exterior, o www. choquecultural.co.uk; para comprar dentro do Brasil, é necessário entrar em contato com a galeria (tel. 0/xx/11/ 3061-4051). Há hoje 25 títulos disponíveis, um dos mais recentes é o de Stephan Doitschinoff. As gravuras custam em média R$ 90 cada uma, mas podem chegar a R$ 600.
A idéia de colocar os grafiteiros para produzir gravuras foi uma forma de tornar o trabalho viável economicamente -explorando uma linguagem diferente das ruas, mas mantendo-se o traço e a temática de cada um. "Mostramos para o artista que existia uma forma de ele entrar na casa das pessoas e não apenas que ele ficasse gastando dinheiro pintando na rua", explica Ribeiro.
Obey, um dos codinomes precursores da arte de rua nos EUA, também percebeu o potencial negócio. O site www.obeygiant.com vende pôsteres a partir de US$ 20. As obras de Obey também são disputadas e esgotam rapidamente.
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