Tradutores protestam contra plágios
da Folha de S.Paulo
Uma centena de tradutores brasileiros divulgou anteontem um abaixo-assinado manifestando repúdio pela prática de plágio de traduções consagradas, que editoras como a Martin Claret e a Nova Cultural teriam cometido, como a Folha noticiou com exclusividade nos dias 4/11 e 15/12.
"Declaramos repudiar toda e qualquer prática ilegal e imoral dessa natureza, que constitui, no que concerne a nós, um abuso da propriedade moral de obras de criação intelectual nova", diz um trecho do abaixo-assinado, que também está disponível em um blog criado pelos profissionais (assinado- tradutores.blogspot.com).
"O elemento galvanizador foi a matéria da Folha no [último] sábado", disse à reportagem Denise Bottman, tradutora de obras como "Cultura e Imperialismo", de Edward W. Said, que enviou o abaixo-assinado à Redação por e-mail.
No texto a que se refere Bottman, o jornal noticiou a publicação, pela Nova Cultural, de uma tradução de Voltaire que tem a mesma estrutura e erros cometidos no original de Mario Quintana -a editora diz que determinou auditoria e "criteriosa apuração", mas não forneceu dados do tradutor.
Antes, em novembro, outro texto na Ilustrada apontava dois casos envolvendo a Martin Claret, que publicou traduções plagiadas de "Os Irmãos Karamazov" e "A República".
"Estamos defendendo um patrimônio cultural que levou quase um século para ser construído nesse país", disse Bottman, que assina o manifesto.
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