Histórias em família
da SILVANA ARANTES
da Folha de S.Paulo
O cineasta Vladimir Carvalho escuta até hoje um som que, desde a década de 1940, cessou de tocar em seus ouvidos.
Era com uma campainha que o Cine Teatro Ideal avisava à população de Itabaiana (PB) que haveria sessão, nos dias em que o trem chegava trazendo rolos de filme. "Ainda ouço aquele som", conta Carvalho.
| Alan Marques/Folha Imagem |
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| Em família: Lula Carvalho, Vladimir Carvalho (centro) e Walter Carvalho (calça vermelha) |
Filho do intelectual autodidata e comunista convicto Luiz Martins de Carvalho, Vladimir ia ao cinema ainda criança.
Quando viu "O Homem de Aran" (1934), do mestre dos documentários Robert Flaherty, deu-se conta de que gostaria de viver fazendo algo semelhante, ou seja, "uma arte que não é sectária, mas não tem a gratuidade da firula estética; que é compromissada com uma idéia de transformação", resume ele.
No mês passado, Vladimir estava na platéia que assistia ao encerramento do Festival de Brasília quando os auto-falantes ecoaram seu nome, comparado não a Flaherty, mas a outro ícone do documentarismo.
"Dedico este prêmio ao meu tio, Vladimir Carvalho, o Vertov do sertão", disse Lula Carvalho, representante da terceira geração da família Carvalho dedicada ao cinema. Ele recebia o troféu Candango de melhor fotografia pelo curta "Trópico das Cabras".
Filho do multipremiado fotógrafo Walter Carvalho, Lula (homônimo do avô) dedicou o prêmio a Vladimir, que lhe ensinou a ser "flamenguista e comunista, coisas que são pilares de uma visão de mundo".
Leia mais sobre a entrevista com a família Carvalho.
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