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Ilustrada
26/12/2007 - 12h35

Arte contemporânea latino-americana se valoriza em 2007

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BELÉM PALANCO
da Efe, em Madri

As vendas de arte contemporânea procedente da América Latina e da Rússia superaram as previsões das casas Sotheby's e Christie's, mas ainda não se comparam com a arrecadação obtida por obras de artistas consagrados.

As principais casas de leilões buscaram em 2007 novos e potenciais compradores. Os maiores alvos são os novos ricos chineses e russos, que procuram diversificar os seus investimentos, apostando em obras de artistas praticamente desconhecidos.

AP
Imagem divulgada pela Sotheby mostra tela recuperada por mulher do lixo em Nova York
Imagem divulgada pela Sotheby mostra tela recuperada por mulher do lixo em Nova York

Um dos destaques foi a venda em Nova York do quadro "Tres Personajes", de Rufino Tamayo. O quadro, que estava desaparecido há 20 anos, foi recuperado do lixo e vendido por US$ 1 milhão (R$ 1,7 milhão).

As peças que bateram recordes foram, entre outras, um ovo com um relógio de diamantes fabricado por Carl Fabergé para os Rothschild (US$ 18,5 milhões ou R$ 33,1 milhões) e o "Estudo para Inocencio X" (US$ 52,6 milhões ou R$ 94,3 milhões), de Francis Bacon.

Outra aposta dos especialistas da Sotheby's foi no mercado da pintura espanhola do fim do século 19 e início do século 20. "Fuensanta", de Julio Romero de Torres, foi leiloada por US$ 1,7 milhão (R$ 3 milhões) em Londres.

Mas um dos circuitos de arte moderna e contemporânea mais interessantes foi no meio do ano, na Europa, com a realização ao mesmo tempo de quatro feiras: a Bienal de Veneza, a Documenta de Kassel, o Skulptur de Münster e a feira da Basiléia, também conhecida como Art Basel.

Além dos leilões, os artistas latino-americanos foram protagonistas no mercado asiático e europeu, com sua participação em Veneza, Kassel e na Bienal de São Paulo.

Em Nova York, um dos focos mais importantes para a difusão e criação de novas tendências, foi organizada a primeira feira de arte latino-americana contemporânea, a Pinta. Além disso, o escultor colombiano Fernando Botero escolheu a cidade para mostrar 45 obras, que não estão à venda, inspiradas nas torturas na prisão iraquiana de Abu Ghraib.

Pablo Martinez Monsivais/AP
Fernando Botero passa por obras de exposição sobre a prisão de Abu Ghraib
Fernando Botero passa por obras de exposição sobre a prisão de Abu Ghraib

Na escultura, a galeria Tate Modern, de Londres, contribuiu com duas mostras. Uma retrospectiva foi dedicada à prestigiosa franco-americana Louise Bourgeois. E a obra "Shibboleth", da colombiana Doris Salcedo, apresentou uma renovação da linguagem, a caminho da instalação.

Em fotografia, a corrente russa, com o grupo AES+F e o artista Dimitri Gustov, continuou influenciando o mercado e as tendências da Europa.

Mas os ladrões de obras de arte e de peças arqueológicas também foram notícia em 2007. Entre os furtos, que são mais freqüentes do que o público acredita e que nem sempre são divulgados, o destaque foi o desaparecimento de umas obras de Pablo Picasso da casa de uma de suas netas, em Paris.

Também desapareceram obras de Fernando Botero, em Pietrasanta (Itália), da Biblioteca Nacional de Madri. A boa notícia foi a recuperação de importantes obras furtadas, como "A Madona do Fuso", de Leonardo da Vinci, telas do espanhol Pablo Picasso e os famosos quadros "O Grito" e "A Madona", do norueguês Edvard Munch.

Na madrugada de 20 de dezembro, uma quadrilha invadiu o Museu de Arte de São Paulo (Masp) e furtou os quadros "O Lavrador de Café", de Portinari, avaliado em US$ 5,5 milhões (9,8 milhões), e "Retrato de Suzanne Bloch", de Picasso, de US$ 50 milhões (R$ 89,6 milhões).

Além disso, como sempre aconteceu ao longo da história, as celebridades foram fonte de inspiração para os artistas. O polêmico escultor americano Daniel Edwards mostrou em Nova York uma escultura do cadáver da atriz Paris Hilton, insinuantemente nua durante uma autópsia. Já o britânico Jonathan Yeo, em Londres, retratou o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, usando uma colagem de fotos pornográficas.

Em 2007 o circuito artístico também procurou incorporar a história em quadrinhos, a "street art", o grafitti e a culinária, apesar das reservas dos artistas e marchands mais puristas. A Documenta de Kassel chegou a programar para a sua inauguração uma criação culinária do chef espanhol Ferrán Adriá.

A tendência da arte ao longo do ano foi de continuidade das vendas e compras, principalmente do que já é conhecido, devido à incerteza financeira. No nível criativo, uma renovação profunda da linguagem artística, com um novo movimento forte, ainda não se consolidou, devido à especialização cognitiva e conceitual cada vez maior dos circuitos artísticos.

 

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