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01/01/2008 - 10h42

Capitão Nascimento assombrou diretor

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SILVANA ARANTES
da Folha de S.Paulo

A popularidade do capitão Nascimento (Wagner Moura), o protagonista de "Tropa de Elite", de José Padilha, ganhou os contornos de uma sombra no trabalho do diretor e roteirista de "Meu Nome Não É Johnny", Mauro Lima.

"O capitão Nascimento virou herói de um pensamento deturpado da classe média de que traficante tem é que levar porrada da polícia. Como vou fazer o cara que acha que o capitão Nascimento está certo se identificar com a história do [traficante] João Guilherme [Estrella, protagonista de 'Meu Nome Não É Johnny']", perguntou-se Lima. A resposta foi dar ao personagem Estrella (Selton Mello) um caráter "engraçado, carismático, bravateiro", de quem conquista pelo humor.

A solução pela veia cômica e a disposição firme de "não fazer um 'drug movie'" não chega a ser, segundo Lima, sua adesão a uma fórmula de cinema. "As fórmulas são [feitas] para errar. De dez filmes que seguem fórmulas, em geral, um dá certo, um empata o jogo e os outros oito dão errado", afirma.

O diretor diz que seu objetivo é "deixar o cara da locadora sem saber onde colocar o filme". E brinca: "Espero que seja nos clássicos, entre 'E o Vento Levou' e 'Cidadão Kane'".

Se renega as fórmulas comerciais, Lima tampouco abraça a idéia do cinema autoral para poucos. "Às vezes o cara se acha cult porque ninguém vai ver o filme dele e não lhe ocorre que o filme é uma bosta", diz.

Ao filmar "Meu Nome Não É Johnny", Lima, 40, diz que procurou imaginar a história sendo contada pelo personagem a um grupo de amigos, num bar. O resultado saiu "cronológico, clássico", define, embora o filme lance mão de flashbacks.

"Meu Nome Não É Johnny" foi feito com R$ 5,5 milhões. A produtora Mariza Leão não reclama da falta de dinheiro, mas da dificuldade para reuni-lo.

"Vi que esse é um tema maldito", afirma Leão. "Para ser fácil captar no Brasil, a história tem que estar distante do eixo empresarial de quem decide."

São as áreas de marketing que comumente avaliam e aprovam (ou não) projetos de filmes nos quais as empresas aplicam parte de seu Imposto de Renda devido. A operação, de renúncia fiscal, é prevista nas leis de incentivo à cultura.

 

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