Inverno do Fashion Rio dá vez ao streetwear
VIVIAN WHITEMAN
da Folha de S.Paulo
Sem a moda praia, que só aparece nas passarelas no verão, a temporada de desfiles outono-inverno 2008 do Fashion Rio, que começa hoje e vai até o dia 12, joga seus holofotes sobre as grifes de streetwear.
O sucesso mundial de marcas com DNA carioca, como a Osklen, abriram o caminho para outras grifes que, de olho na valorização nacional e global de seus produtos, investiram em estrutura comercial, criação e design. É o caso da Redley, que nos últimos anos consolidou sua posição no Fashion Rio e está cada vez mais próxima do mercado internacional.
"Para conquistar o consumidor estrangeiro devemos inovar também no inverno, do contrário, ficaremos sempre restritos à moda praia", diz o designer Jurgen Oeltjenbruns, que estreou como coordenador de estilo da Redley em 2007.
Países como os EUA e a Austrália, grandes lançadores de tendências de streetwear jovem com pegada esportiva, já perceberam o potencial da moda carioca nesse setor.
Outro exemplo é a grife Cantão, que atualmente está entre as melhores do Fashion Rio e já é presença constante nas revistas de moda e nas lojas multimarcas australianas. Desde 2003, a empresa possui um departamento de exportação e vende também para Portugal e Alemanha. "Nós inventamos a mistura do beachwear com o look pós-praia, que é um sucesso", afirma Yamê Reis, diretora de criação da Cantão.
Mas nem tudo vai bem no setor. "Faltam coragem e liberdade de expressão, tanto para os criadores, ligados demais no que rola lá fora, quanto para os consumidores, que são conservadores", analisa Oeltjenbruns.
Os problemas com prazos, altos impostos e burocracia são outros obstáculos. No entanto, para o estilista Napoleão Fonyat, dono da Sandpiper, as perspectivas são de crescimento.
"Partimos um pouco atrasados para o comércio globalizado, mas já demos os primeiros passos", diz o designer, que abriu sua primeira loja internacional na região mais rica e badalada da ilha de Bali, em 2002.
Veterana da moda carioca, a Sandpiper passa por boa fase. No ano passado, abriu quatro franquias e estreou no mercado das multimarcas, ganhando 140 pontos-de-venda. Para 2008, estão programadas mais quatro novas lojas próprias.
O segredo dessa onda de crescimento, para Fonyat, é a qualidade das roupas, que evoluiu nos últimos anos, e o desejo do consumidor por peças descoladas e práticas.
No mercado, esse tal streetwear com cara de Rio é traduzido em cores vivas ou neutras, estamparia, tecidos naturais ou inteligentes e peças de elegância simples e perfume esportivo. "Ser carioca é vestir algo básico e estar pronto para ir a qualquer lugar em cinco minutos, do calçadão ao restaurante. O mundo se encanta com essa idéia tão livre de elegância", afirma Fonyat.
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