Adaptação "Desejo e Reparação" fica aquém do clássico de McEwan
RICARDO CALIL
do Guia da Folha
Diretor de "Orgulho e Preconceito" (2005), bela adaptação do livro de Jane Austen, o diretor Joe Wright assumiu uma tarefa espinhosa ao transpor para a tela "Reparação" (2001), do inglês Ian McEwan. O romance é uma obra-prima da literatura contemporânea, com diversas camadas de significados, ao mesmo tempo clássico na descrição da vida de seus personagens e moderno na maneira como mostra a imaginação de um deles interferindo na realidade apresentada.
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| James McAvoy e Keira Knightley em cena do diretor inglês Joe Wright, que estréia hoje (Veja a galeria de imagens do filme) |
De real, existe o início do amor entre a aristocrática Cecilia (Keira Knightley) e o filho da governanta Robbie (James McAvoy), que se revela em uma seqüência de acontecimentos ao longo de um dia em uma casa de campo na Inglaterra dos anos 1930. Mas aí entra a imaginação de Briony (Saoirse Ronan), irmã mais nova de Cecilia e aspirante a escritora, que interpreta os sinais dessa paixão de forma totalmente equivocada --com conseqüências desastrosas para o futuro dos dois amantes.
Como já havia demonstrado em "Orgulho e Preconceito", Wright confirma ter pleno domínio da narrativa clássica, com competência artesanal para conjugar o épico dos momentos históricos com o íntimo das emoções dos personagens. No entanto, o cineasta não possui o mesmo talento para lidar com os aspectos modernos do material, para armar o embate de vida e morte entre realidade e ficção proposto brilhantemente por McEwan no livro.
Com "Desejo e Reparação", indicado em sete categorias no Globo de Ouro e forte concorrente a várias vagas no Oscar, Wright se credencia a digno sucessor da linhagem de James Ivory ("Vestígios do Dia"), o antigo rei do drama de época. Mas ainda falta um pouco para se tornar um grande cineasta contemporâneo. Como Ivory, ele parece se sentir mais confortável no passado --do mundo e do cinema-- do que em seu próprio tempo.
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