Montagem retrata julgamento inusitado
MARIA EUGÊNIA DE MENEZES
do Guia da Folha
Quando tudo parece já ter sido dito é como se não existissem mais histórias a serem contadas. O escritor e dramaturgo suíço Friedrich Dürrenmatt (1921-1990) lança essa provocação logo nas primeiras páginas de "A Pane", conto escrito em 1956 que, após estrear nos palcos cariocas, inicia temporada amanhã (dia 12), no Sesc Consolação.
| Divulgação |
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| Cena do espetáculo "A Pane" que estréia amanhã (12), no teatro do Sesc Consolação, na montagem do diretor José Henrique Moreira |
Adaptado pelo advogado criminalista Nilo Batista, a montagem do diretor José Henrique Moreira trata das agruras de um homem quando seu carro sofre uma pane nos alpes suíços. Perdido na neve, ele encontra abrigo numa casa, onde um grupo de juristas aposentados se diverte criando simulações de julgamentos e, sem perceber, se vê enredado num estranho jogo.
Enquanto um banquete é servido, Alfredo (Henrique Pagnocelli) é transformado em réu e aceita a brincadeira sem relutar, por acreditar que não cometeu nenhum crime. À medida que a noite avança, no entanto, tal certeza é abalada e a revelação de alguns delitos insuspeitos parece distanciá-lo da frivolidade de sua vida, dando-lhe algum sentido.
"A versão do promotor, em que ele deixa de ser um homem comum para se tornar o autor do crime perfeito, é tão sedutora, que ele passa a defender seu próprio acusador", conta Moreira.
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