2008 começa em alta para filme nacional
SILVANA ARANTES
da Folha de S.Paulo
"Meu Nome Não É Johnny", o primeiro longa brasileiro a estrear em 2008 (em 4/1), teve animadora performance nas bilheterias. Foi visto por 151 mil pessoas no fim de semana, com média de 1.482 espectadores por cópia --resultado característico de grandes sucessos.
Mas não é nos números que o diretor Mauro Lima, 40, tem se fixado, para dimensionar o êxito de seu filme. "Não me dou bem com a coisa no papel, na planilha. Gosto de entender [o sucesso do filme], quando me dizem que foram vê-lo no cinema e voltaram para trás, porque a sessão estava lotada."
| Ricardo Moraes/Folha Imagem |
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| Selton Mello interpreta um playboy que virou traficante no filme "Meu Nome Não É Johnny" |
Lima é cauteloso sobre as razões da popularidade de "Meu Nome Não É Johnny". "Se eu soubesse o segredo, estaria com meus próximos oito filmes garantidos." Mas ele estima que "talvez seja a atualidade desse assunto nos centros urbanos" o principal chamariz do longa.
"Meu Nome Não É Johnny", protagonizado por Selton Mello, é baseado na biografia do produtor musical carioca João Guilherme Estrella, 46, que, pertencendo à classe média alta carioca, passou de usuário a traficante de drogas na juventude e foi condenado à internação em hospital psiquiátrico.
"Pouco previsível"
Apesar da performance positiva do filme brasileiro que inaugurou as bilheterias em 2008, a expectativa de boa parte do mercado é que o desempenho do produto nacional neste ano repita o de 2007.
"Estimamos aproximadamente o mesmo número de público", afirma o executivo da Cinemark, Valmir Fernandes. O secretário do Audiovisual, Silvio Da-Rin é mais reticente. "O cinema tem flutuações muito grandes. O êxito dos filmes é muito pouco previsível", diz.
O diretor José Padilha, autor do filme brasileiro líder de bilheteria em 2007 ("Tropa de Elite", 2,4 milhões) acha que a queda total de bilheterias no ano passado (de 2,9%, ou 2,5 milhões de espectadores) "não indica uma tendência".
Padilha diz que "variações percentuais pequenas como esta podem decorrer de fenômenos que não têm a ver com a economia do cinema".
O cineasta cita como possível causa dessa queda a pirataria que atingiu "Tropa de Elite" antes de sua estréia nos cinemas.
"Na opinião dos distribuidores e exibidores em geral, se a pirataria não tivesse ocorrido, o filme teria feito um público bem maior em cinema. Talvez, mais do que 2,5 milhões [além do que fez]. Assim, é possível que esta queda resulte, entre outras coisas, do ato de duas pessoas que roubaram o DVD de um filme [e o destinaram à pirataria]", afirma Padilha.
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