Japão também teve seu teatro de protesto
DAYANNE MIKEVIS
da Folha Online
Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a cena teatral do Japão passou por profundas mudanças, segundo a pesquisadora Darci Kusano.
"É uma marca divisória no estudo da arte dramática japonesa", disse Kusano.
O shiengeki é um reflexo destas mudanças. O gênero incorpora o teatro moderno de estilo ocidental e se inspira no europeu e no americano.
"Após dois séculos e meio relativamente fechado para o que vinha de fora, este teatro se abriu para o Ocidente", disse Kusano. No estilo, inicialmente até mesmo as peças não eram japonesas, e sim textos ocidentais traduzidos.
Como uma resposta ao shiengeki, surgiu em seguida o teatro de vanguarda, nos anos 60. O estilo fazia uma ponte com o contemporâneo, mas resgatando elementos do teatro tradicional. Um sub-estilo foi o teatro político, especialmente de protesto, que trabalhou principalmente textos do dramaturgo Bertold Brecht.
Outro evento que surgiu no século 20 foi o butô, a dança de vanguarda. Kusano conta que o estilo revolucionou a dança no Japão, que deixou de ser uma arte da luz, da perfeição, para trazer os movimentos "quebrados" do corpo nos anos 50 e 60. O movimento precede o dos pequenos teatros, que são sobretudo os de vanguarda.
Apesar do teatro folclórico, sobretudo os gêneros mais populares, terem espaço no Brasil devido à presença dos imigrantes. As expressões mais recentes também chegaram ao país, segundo Kusano. Nomes que trabalharam com tais expressões são o grupo Ponkan, a atriz Marieta Severo e Haroldo de Campos.
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