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Ilustrada
18/01/2008 - 09h49

Biografia narra vôo tortuoso do Barão Vermelho

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MARCO AURÉLIO CANÔNICO
da Folha de S.Paulo

Quando se fala no Barão Vermelho hoje em dia --não que se fale muito, já que o grupo está em recesso--, a imagem que surge é a de uma big band já estabelecida, com uma longa história de sucessos, um dos alicerces do rock brasileiro surgido na década de 80.

Descobrir (ou lembrar) que a trajetória do grupo foi extremamente acidentada, incluindo discos sem destaque, inúmeras trocas de integrantes, prisões e não poucas divergências internas (fora a passagem do furacão Cazuza) é o que mais chama atenção na leitura da biografia "Barão Vermelho -Por que a Gente É Assim".

Quer dizer, isso e a parte que envolve uma mãe-de-santo do subúrbio de Ramos (o do piscinão, no Rio) que desfez uma macumba poderosa --o que, aparentemente, estava atravancando os caminhos da banda rumo ao sucesso em sua fase pós-Cazuza.

Escrito por um de seus fundadores, o baterista Guto Goffi, em parceria com o descobridor e mentor da banda, Ezequiel Neves, além do jornalista Rodrigo Pinto, o livro narra toda a história do Barão, da fundação, em 1981 (por Goffi e o tecladista Maurício Barros, então com 19 e 17 anos, respectivamente), à sua segunda parada, em 2007, para que os integrantes se dedicassem a carreiras solos.

Ricamente ilustrado com fotos (e cartazes, ingressos etc.) de todas as fases da banda, o livro tem uma diagramação nada convencional (por vezes, francamente caótica, incluindo flashbacks) e vem acompanhado de um CD com os primeiros registros do Barão.

Microfonia

"Vendo graficamente, não é um livro, é uma microfonia", define Ezequiel Neves à Folha, por telefone.

"E microfonia é uma viagem, uma coisa muito over, eu não consigo ler esse livro, de tão bem editado que ele é."

Ezequiel é uma figura inacreditável. Na história da banda, foi, como ele mesmo se define, "onipresente" --"descobriu" a banda, produziu discos, os incentivou em todos os momentos e se dividiu, salomônico, quando Cazuza saiu em carreira solo.

Boa parte do humor do livro vem dos episódios com sua presença tresloucada, como quando esculhambou o tecladista Maurício Barros por conta de sua influência de rock progressivo. "Nossa, tantos sintetizadores... Esse som parece uma penteadeira de bicha! Vamos gravar um pianinho mais stoneano."

Para os fãs do Barão, até pelo CD com versões inéditas, o livro é um bom presente.

Barão Vermelho - Por Que a Gente é Assim
Autores: Ezequiel Neves, Guto Goffi, Rodrigo Pinto
Editora: Globo
Quanto:R$ 49 (312 págs.)

 

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