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31/01/2008 - 09h55

Boate de prostituição em Copacabana pode virar Museu da Imagem e do Som

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da Folha de S.Paulo, no Rio

O governador Sérgio Cabral quer transformar a boate Help, principal ponto de turismo sexual do Rio, na sede de um ampliado e moderno MIS (Museu da Imagem e do Som). A desapropriação do terreno de 1.600 m2, situado diante da praia de Copacabana, foi publicada no Diário Oficial de anteontem, mas o decreto 41.151 poderá levar tempo para se concretizar.

O Estado terá de propor uma indenização aos proprietários do terreno e negociar o valor na Justiça, assumindo o controle dois meses após o pagamento. Também funcionam na área dois restaurantes. Os donos se disseram surpresos com a notícia.

Rafael Andrade/Folha Imagem
Fachada da boate Help, em Copacabana, no Rio, que deve se tornar sede de museu
Fachada da boate Help, em Copacabana, no Rio, que deve se tornar sede de museu

O MIS tem duas sedes no centro, mas enfrenta problemas de preservação e exposição do material. Os prédios ganhariam outras funções.

A secretária estadual da Cultura, Adriana Rattes, estima que, até o início de março, lançará o projeto do novo MIS. Ela diz que o orçamento será coberto com parcerias com a iniciativa privada.

"Vamos potencializar o acervo do MIS, praticamente restrito a pesquisadores. Com novas tecnologias e a localização em Copacabana, podemos atrair um grande público, inclusive turistas. É um acervo muito ligado ao Rio, com samba, bossa nova, rádio e cinema", diz Rattes.

Desde a posse de Cabral, há um ano, o museu é dirigido pela pesquisadora musical Rosa Maria Araújo, que dividiu a autoria do espetáculo "Sassaricando" com Sérgio Cabral, pai do governador.

A Help surgiu em 1984, ainda como discoteca de classe média alta. No final dos anos 80, virou o maior espaço de prostituição da cidade.

Thaddeus Blanchette, antropólogo norte-americano radicado no Rio e co-autor do estudo "Nossa Senhora da Help: sexo, turismo e deslocamento transnacional em Copacabana", estima em mais de mil as garotas de programa que freqüentam a boate no verão. Elas não têm vínculo com a casa e pagam para entrar (R$ 22 até a 0h e R$ 32 após), trabalhando por conta própria.

"A tendência, com o fim da Help, é que se fortaleça o controle dos donos da noite. Pode haver uma profissionalização no mau sentido", diz.

 

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