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04/02/2008 - 08h32

O rock vai à África

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THIAGO NEY
da Folha de S.Paulo

A música pop lembra da África em eventos como o Live Aid, ou com a música "We Are the World", ou quando Bono aparece. Mas, para duas novas e badaladas bandas roqueiras, o continente africano está nos acordes de suas canções.

Se para grupos da geração anterior, como Strokes, White Stripes, Arctic Monkeys e Black Rebel Motorcycle Club, o ponto de partida são as guitarras e o rock anglófono dos anos 70 e 80, para Yeasayer e Vampire Weekend, a fonte primária é a mesma que saciou artistas como David Byrne, Peter Gabriel e Paul Simon, que enveredaram pela world music duas décadas atrás.

Divulgação
Grupo Vampire Weekend lança disco em que o rock sofre influência de ritmos africanos
Grupo Vampire Weekend lança disco em que o rock sofre influência de ritmos africanos

O encontro entre ritmos africanos e o formato pop reciclado por Byrne e Simon remete ao "highlife", música nascida no oeste da África nos anos 1920 em que elementos tribais e indígenas são revirados com violão, gaita e acordeão, entre outros instrumentos.

Levado ao rock, o resultado traz batidas sincopadas, bastante percussão e melodias alegres que abrem espaço a mudanças de andamento e de tom.

"Talvez isso seja uma reação contra o que estava acontecendo no rock", disse à Folha, por telefone, Anand Wilder, vocalista e guitarrista do Yeasayer (para ouvir: www.myspace.com/yeasayer ).

"Eu encarava tudo aquilo com tédio. Por todos os lados, só havia bandas fazendo rock de garagem ou disco-rock."

Wilder criou o Yeasayer com o amigo Chris Keating (tecladista), quando os dois moravam em Baltimore (EUA). Depois, chamaram Ira Wolf Tuton (baixista e primo de Wilder) e Luke Fasano (baterista). Com essa formação, em 2006 o grupo passou a fazer seus primeiros shows em Nova York, onde vivem hoje.

Em 2007, começaram a ganhar atenção em show no festival SXSW (South by Southwest), no Texas, muito por culpa de "2080", faixa roqueira com espírito afro-pop.

"Quando montamos a banda, nunca nos propusemos a fazer algo convencional. Queríamos produzir algo que fosse original, novo", afirma Wilder.

A conseqüência dessa proposta é "All Hour Cymballs", lançado no final de 2007 (no Brasil, a Warner colocou o disco à venda para download).

O álbum foi bem recebido nos EUA e carrega o Yeasayer por uma extensa turnê, que passará pelos festivais de verão europeus e norte-americanos.

Vampire Weekend

"All Hour Cymballs" serve como comparação para o disco de estréia do Vampire Weekend (www.myspace.com/vampireweekend ), banda também de Nova York.

O álbum homônimo foi lançado no exterior na semana passada, mas muitas de suas músicas são conhecidas há tempos: em 2007, o Vampire Weekend foi das bandas mais comentadas (no sentido "ame ou odeie") em blogs e sites.

Os quatro integrantes do Vampire Weekend estudaram na prestigiosa Universidade Columbia (em Nova York) e chegaram a se apresentar ao vivo na instituição.

Autoclassificam a música que fazem como "Upper West Side Soweto" (Upper West Side é uma região de Manhattan; Soweto, de Johannesburgo, na África do Sul). Uma de suas faixas mais ouvidas é "Cape Cod Kwassa Kwassa", que faz referências à música do Congo.
Muitos adoram as letras que remetem a antigos arquitetos (François Mansart, em "Mansard Roof"), a vida universitária ("Campus") e até a regras gramaticais ("Oxford Comma"), --e muitos odeiam o grupo pelos mesmos motivos.

Esse certo acento intelectual está presente também no Yeasayer, e muitas vezes joga contra as duas bandas --as músicas parecem estudadas demais, e sente-se falta de uma dose de energia e espontaneidade.

"Sem conexão"

Apesar das conexões feitas entre as duas bandas, Anand Wilder disse à Folha que não vê "nenhuma conexão" entre Yeasayer e Vampire Weekend. "Eles são bons, mas não têm nada a ver com a gente."

Goste Wilder ou não, Yeasayer e Vampire Weekend estão ligados: pertencem a uma geração de bandas cujo rock passa pela África --e aí entram também Beirut e a vocalista M.I.A.

 

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