Ilustrada
11/02/2008 - 08h55

"Tropa de Elite" estréia hoje no festival de Berlim

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SILVANA ARANTES
Enviada especial a Berlim, da Folha de S.Paulo

O longa-metragem "Tropa de Elite", concorrente brasileiro ao Urso de Ouro no 58º Festival de Berlim, faz hoje sua estréia no evento. A sessão oficial competitiva, na sala de projeção do Berlinale Palast, sede da disputa, ocorre às 16h (13h, no horário de Brasília).

Estarão presentes o diretor, José Padilha, e parte da sua equipe --os atores Wagner Moura (Capitão Nascimento) e Maria Ribeiro (Rosane, a mulher do capitão), o fotógrafo Lula Carvalho e o produtor do filme e sócio de Padilha, o cineasta Marcos Prado ("Estamira").

Divulgação
"Tropa de Elite" estréia hoje na competição do festival de Berlim, contra outros 20 títulos
"Tropa de Elite" estréia hoje na competição do festival de Berlim, contra outros 20 títulos

Os outros dois filmes da competição (entre 21 longas) programados para hoje são o alemão "Kirschblüten --Hanami" (o desabrochar das cerejas), de Doris Dörrie, uma tragicomédia sobre a vida amorosa de um homem, e o chinês "Man Jeuk" (o pardal), de Johnnie To, sobre jovens delinqüentes.

O festival anuncia os vencedores e entrega seus prêmios no próximo sábado.

No fim de semana passado, "Tropa de Elite" começou a ganhar a atenção da imprensa internacional em Berlim. A revista "Hollywood Reporter" citou-o como o título "que está sendo promovido como o novo "Cidade de Deus'".
A "Screen" publicou no sábado entrevista com Padilha, em que ele afirma: "[No Brasil] Muitas pessoas me pararam na rua para dizer que estavam gratas porque o filme dá à polícia o que ela merece. Obviamente, não foi o que tentei fazer".

"Tropa de Elite" aborda o consumo e a repressão ao tráfico no Rio sob a ótica de um capitão do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) da PM, que pretende deixar a função, mas não sem antes encontrar seu substituto.

"Fome"

Em busca de co-produtores e/ou distribuidores internacionais, Padilha e Prado trouxeram ao Mercado do Filme de Berlim, realizado paralelamente à competição, "um roteiro debaixo do braço", que volta a tratar do consumo de drogas no Rio, nos dias atuais e pela perspectiva dos usuários.

O filme, cujo título provisório foi "Posto 9", terá o nome de "Paraísos Artificiais" e será dirigido por Prado e produzido por Padilha. A produção de "Paraísos Artificiais", no entanto, não deve retardar a carreira de Padilha como diretor.

Ele já tem quase pronto o documentário "Fome", com o qual imagina "acender outro debate importante no Brasil, sobre os programas sociais".

Autor do multipremiado documentário "Ônibus 174", sobre o seqüestrador do coletivo no Rio, Padilha diz que "Fome" é um filme "ao contrário de todos" os seus anteriores, porque se filia ao cinema direto.

"Não há nenhuma análise sobre o problema da fome no filme. Ele mostra o tema pelo ponto de vista de quem passa fome, pura e simplesmente. Acho que esse ponto de vista é muito forte e foi ignorado", diz.

Política

Os políticos do Brasil serão tema de outro filme do diretor, cujo roteiro está sendo escrito pelo sociólogo Luiz Eduardo Soares, co-autor (com Rodrigo Pimentel e André Batista) de "Elite da Tropa", versão literária de "Tropa de Elite".

Inicialmente anunciado como "O Corruptólogo", o longa deverá chamar-se "Nunca Antes na História deste País".

Mas é provável que o próximo filme de Padilha seja uma produção hollywoodiana. Incluído em recente lista de "dez diretores a observar" da revista "Variety", Padilha diz que tem recebido muitas propostas dos Estados Unidos e tem interesse em dirigir em Hollywood.

"É a meca do cinema. Deve ser interessante você poder levar para o set uma tonelada de luz e refletores, não sei quantas gruas, e não ter que ficar fazendo conta. É uma espécie de parque de diversões do diretor. Eu gostaria de experimentar fazer um filme lá", afirma.

Já a produção da minissérie que daria continuação à história de "Tropa de Elite" não teve avanços. De acordo com Padilha, ainda não houve acordo com nenhuma das emissoras de TV interessadas no projeto. "Estamos conversando. Essa é uma coisa que tem que ser feita com calma e direito", diz.

 

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