"Tropa de Elite" estréia com problemas técnicos em Berlim
da Folha Online
da France Presse, em Berlim
"Tropa de Elite", ou "The Elite Squad", seu título em inglês, foi apresentado para a imprensa nesta segunda-feira no Festival de Cinema de Berlim, o Berlinale e, ao final da exibição, houve aplausos e vaias.
Por um problema técnico, o filme foi exibido no original em português com legendas em alemão --o normal são legendas em inglês. Por causa disto, os jurados e o presidente do júri, o cineasta grego Costa-Gavras, tiveram que usar fones de ouvido, com narração em voz feminina.
| Hermann J. Knippertz/AP |
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| Maria Ribeiro (direita), Wagner Moura (esquerda) e José Padilha foram a Berlim |
Mesmo assim, o filme de José Padilha, autor do aclamado "Ônibus 174", não deixou de chamar a atenção da crítica com seu ritmo frenético, movimentos de câmera violentos e a trilha sonora.
No entanto, também deixou a desejar pelo pouco espaço dado à reflexão, uma vez que seu objetivo, segundo palavras do próprio diretor, é causar sensação e fazer o espectador mergulhar na violência das favelas cariocas.
Em função disso, a ficção violenta de "Tropa de Elite" provoca, em princípio, um certo mal-estar. Mas com suas seqüências noturnas ao som de rock pesado, o filme campeão de bilheteria nos cinemas brasileiros acabou cumprindo seu objetivo de chamar a atenção.
O capitão Nascimento em pessoa, ou melhor, Wagner Moura, e atriz Maria Ribeiro, junto com Padilha, deram um tom bem brasileiro à entrevista coletiva da equipe de "Tropa de Elite", desfazendo um pouco a má impressão inicial.
O jornal alemão "Die Welt" comparou o filme com a Alemanha. Informou, em uma reportagem, que os alemães ainda acusam a polícia de ser dura quando prende um traficante em Kreuzberg, ao tentar estabelecer um certo paralelo com a dura história do filme.
A outra estréia do dia foi o mexicano "Lake Tahoe", de Fernando Eimbcke, que, além de "Tropas de Elite", é o único filme latino que aspira ao Urso de Ouro de Berlim.
Também nesta segunda-feira serão exibidos "Sparrow", o último filme de Johnnie To, de Hong Kong, e o esperado "Sangue Negro", de Paul Thomas Anderson e protagonizado por Daniel Day Lewis, que, na véspera, levou o Oscar britânico de melhor ator, o Bafta.
Completaram a jornada "Cherry Blossoms-Hanami", de Doris Dorrie, a primeira dos dois filmes alemães na competição oficial, e o melodrama chinês "In Love We Trust", de Wang Xiaoshuai, que também teve uma boa acolhida.
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