Publicidade

Ilustrada
24/09/2003 - 09h18

Crítica: "Brasileirinho" troca a Bahia pelos brasis

Publicidade
PEDRO ALEXANDRE SANCHES
da Folha de S.Paulo, no Rio

Tratado por Maria Bethânia como um disco "pequeno", "Brasileirinho" ostenta a virtude de abdicar da centralidade baiana, para querer representar todo o Brasil, todos os brasis.

"Brasileirinho" cresce ao se espalhar pelo Brasil indígena ("Senhor da Floresta"), pela negritude ex-escrava ("Yáyá Massemba", o ex-tropicalista Capinan de volta à composição), pelo aboio interiorano de Luiz Gonzaga ("Boiadeiro", inesperada e nada sutil na voz de Bethânia).

Nos poemas declamados, entram as letras mineiras de Guimarães Rosa, as letras paulistas de Mário de Andrade. Nos encontros vocais com as cariocas Miúcha ("Cabocla Jurema") e Nana Caymmi ("Sussuarana"), explodem duelos de delicadeza, retratos melancólicos do Brasil migratório, instável, provisório.

O choro carioca do grupo Tira Poeira contamina "Padroeiro do Brasil"; os experimentos mineiros do Uakti colaboram com "Salve as Folhas", em que Bethânia espanta ao usar registro inédito de voz. A Bahia sincrética transborda de "Santo Antônio" (do sobrinho J. Velloso) e de "São João Xangô Menino" (do irmão Caetano Veloso e do "irmão" Gilberto Gil).

A Bethânia independente não chega a divergir do rótulo industrial de antes. Mas reconquista o prazer de parcerias retomadas ou inéditas, o despojamento roubado de alguma cantora em início de carreira. Se havia exigência de gravadora ou acomodamento da própria artista, não se pode saber. Mas "Brasileirinho" se solidifica ao começar a romper hábitos musicais arraigados.

Avaliação:

Brasileirinho
Artista:
Maria Bethânia
Lançamento: Quitanda
Quanto: R$ 30, em média

Leia mais
  • Bethânia dá passos independentes com lançamento de disco e selo

    Especial
  • Ouça a música do novo CD e Maria Bethânia
     
  • FolhaShop

    Digite produto
    ou marca