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13/02/2008 - 08h59

"Tropa de Elite" gera mais ódios que amores em Berlim

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SILVANA ARANTES
Enviada especial a Berlim, da Folha de S.Paulo

O concorrente brasileiro ao Urso de Ouro no Festival de Berlim, "Tropa de Elite", de José Padilha, exibido anteontem, teve uma recepção da crítica dividida entre amores e ódios. Mais ódios do que amores.

A revista norte-americana "Variety", que recentemente incluiu Padilha numa restrita lista de dez diretores em quem se deve prestar atenção, foi especialmente dura com o filme.

Em resenha assinada por Jay Weissberg, a "Variety" atribui a "Tropa de Elite" um "estilo Rambo" e sustenta que ele faz "uma monótona celebração da violência gratuita que funciona como um filme de recrutamento de seguidores fascistas".

Divulgação
Cena de "Tropa de Elite", com direção de José Padilha; filme recebeu críticas em Berlim
Cena de "Tropa de Elite", com direção de José Padilha; filme recebeu críticas em Berlim

Weissberg afirma ainda que, segundo o filme, "só o Bope pode salvar a cidade [do Rio], mas isso requer, antes, a remoção cirúrgica de qualquer coisa que se pareça com um coração".

Leitores brasileiros da versão online da revista escreveram no site mensagens de protesto e atacaram o autor da crítica.

A "Hollywood Reporter" publicou entrevista e reportagem sobre o filme, com destaque em sua capa da edição de ontem, mas chamou-o de "um filme constrangedor sobre policiais assassinos".

A crítica afirma que "o pressuposto básico do roteiro escrito por Padilha, Rodrigo Pimentel e Bráulio Mantovani é que todo mundo no Rio é corrupto, especialmente as autoridades".

A revista inglesa "Screen", por sua vez, deu ao filme a nota máxima --quatro estrelas, correspondente a "excelente"--, numa crítica farta de elogios.

"A montagem corajosa, a incansável câmera na mão e essa espécie de tom quente e realista conhecido desde "Cidade de Deus" e "Amores Brutos" produzem uma mistura que é mais funcional do que inovadora, embora seja eficiente".

A crítica do jornal francês "Le Monde", publicada no blog de cinema do diário, acusa o filme de fazer apologia da tortura: ""Tropa de Elite" é feito segundo a receita do neoconservadorismo hollywoodiano --montagem frenética, câmera epiléptica, narrativa que não deixa nenhum espaço à ambivalência. Não é preciso ser hipersensível para ver no filme uma apologia da tortura e das execuções extrajudiciais", afirma o crítico Thomas Sotinel.

A reação da imprensa alemã foi desigual. O jornal "Berliner Zeitung" avaliou o filme como "excitante e original", disse que ele apresenta "os diversos lados da questão" e o faz com bom "equilíbrio entre os aspectos ficcional e documental".

Já o "Der Tagesspiegel" disse que, no retrato do "mundo pavoroso e sem lei" que o filme faz, "não há zonas brancas e negras; tudo é escuro". Os dois jornais, no entanto, ressaltaram que "Tropa de Elite" não é fascista. "E nisso [fascismo], como você sabe, somos especialistas", comentou o jornalista alemão.

Padilha acredita que os críticos estrangeiros que atribuíram ao filme um caráter fascista foram influenciados por colegas brasileiros que reprovam "Tropa de Elite" desde a sua estréia no Brasil.

Sobre as resenhas publicadas ontem, o diretor afirmou: "Uns nos acharam inteligentes, outros fascistas. Na verdade, não me preocupo com isso".

Comentários dos leitores
Diego Centolanza (2) 02/12/2008 11h20
Diego Centolanza (2) 02/12/2008 11h20
Como eu sempre digo: o brasileiro tem mania de reclamar demais. Tem filmes feitos no Brasil que mostram o lado bom da coisa (assista a Guerra dos Rocha, A casa da mãe Joana, Muito gelo e dois dedos d'água). E tem filmes que mostram o lado ruim. Todo país é assim. Hollywood é assim.
A crítica internacional (me refiro à todos esses que tiveram uma má impressão do filme) não gostou do filme talvez porque não tenha idéia de que hoje em dia essa é a realidade do Brasil (e veja bem, não me refiro somente ao Rio de Janeiro). O filma retrata nada mais nada menos do que ações que acontecem com mais freqüência do que se imagina.
É simples criticar. O Difícil é conviver e lidar com a situação.
Por isso, para nós (a maioria dos Brasileiros), o filme é bem-vindo. Porque ele também tem o papel de abrir os olhos de quem vê mas não enxerga o que está acontecendo.
Diego Centolanza.
sem opinião
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Tropa de Elite, em minha modesta opinião, é um dos melhores filmes ja feitos no Brasil. Entretanto, observo que como em bons filmes anteriores como Central do Brasil e Cidade de Deus, só é mostrado as coisas ruins. Os diretores não se preocupam em mostrar alguma coisa bonita nos filmes, como pontos turísticos algo para relaxar etc. So se mostra o lado obscuro, horroroso que também existe no Brasil. Os americanos e europeus, em seus filmes, mostram principalmente o lado bonito de seus cidadãos e de suas cidades, apesar de também existir periferias, desempregados, roubos drogados etc. 3 opiniões
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honestino ribas (3) 17/02/2008 13h35
honestino ribas (3) 17/02/2008 13h35
BRASILIA / DF
O filme tropa de elite já cumpriu um grande papel, por fomentar o debate sobre a forma de ação do estado em relação ao crime e também da sociedade.
Agora, na fase de exibição no exterior e concorrendo a prêmios, vai reestimular uma nova fase, muito boa também.
Quando o Min. da Cultura não escolheu Tropa de Elite para concorrer ao Óscar, mostra que o governo está capturado pelo ideais humanistas de trato com o criminoso, ao passo que o sucesso de público e receptividade do filme demonstra que a sociedade já está farta e querendo reforma da nossa política de segurança pública: mais rigor, menos corrupção, menos impunidade.
Por outro lado, consegui ver algo no filme que poucos falaram aqui: que corrupçaõ dentro de uma corporação se vence com "amor à camisa". Enquanto os servidores públicos de uma instituição, que são os primeiros a verem as irregularidades, continuarem a fazer vistas grossas e tolerarem colegas e superiores corruptos, dificilmente esta instituição será saneada. Se esta é a realidade do
Bope, não sei, pois o filme foi a primeira vez que ouvi falar dest instituição. Mas se é verdade mesmo que lá dentro há um código de honra em favor da ética, e que seus membros fazem questão de estirpar as maçãs podres, acho que está aí uma grande dica de como se pode melhorar nosso sistema de serviços públicos:incentivar os bons, fazer prevalecer os que acreditam que nesse país só prospera quem é "ixperrrto", leva vantagem em tudo...
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