Roteiristas dos EUA voltam a trabalhar após cem dias de greve
ANTONIO MARTÍN GUIRADO
da Efe, em Los Angeles
Após cem dias de greve, os roteiristas dos Estados Unidos voltaram hoje a trabalhar graças ao acordo assinado por sua central sindical com os grandes estúdios, que em breve deverão enfrentar outra difícil negociação: a do Sindicato de Atores (SAG).
Os escritores, contentes com o acordo obtido, se mostraram mais do que satisfeitos na volta ao trabalho, do qual estavam afastados desde 5 de novembro.
| 12.02.2008Rick Loomis/AP |
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| Membro do sindicato dos roteiristas vota com criança no colo em Beverly Hills, na Califórnia |
"Acho que se trata de uma boa conquista, positiva para ambas as partes", disse a redatora Carol Tenney ao canal americano ABC.
"É preciso ser prático nestes casos e acredito que nossos líderes souberam priorizar o que era mais importante", disse Tenney.
"Nosso lema era: 'Se vocês ganham dinheiro, nós também'", disse o roteirista Steven Leiva. "O que pode ser mais justo que isso?".
Parece que tiveram eco as palavras do líder do WGA (Sindicato de Roteiristas dos EUA) no litoral oeste, Patric Verrone, que não hesitou em qualificar o acordo como o melhor assinado pelo sindicato nos últimos 30 anos.
"É o melhor contrato que podíamos obter sob estas circunstâncias. Lutamos realmente duro por ele e assenta bases importantes para o futuro", afirmou outro roteirista, Robin Swicord.
Atores
O atual contrato da Aliança de Produtores de Cinema e Televisão (AMPTP, por sua sigla em inglês) com o SAG expira em 30 de junho e ainda não foi estipulada nenhuma data para o início das negociações.
No entanto, representantes dos produtores, como Leslie Moonves, conselheira delegada da cadeia americana de televisão CBS, esperam que "o tom estabelecido no final das conversas com o WGA se mantenha no futuro".
Por enquanto, o resto da indústria se felicita pelo fim da greve.
Um comunicado conjunto dos responsáveis de oito dos principais estúdios de Hollywood, incluindo as companhias NBC Universal, CBS, Warner Bros e Disney, comemorou o fim da greve.
"A greve foi bastante difícil para todos, mas os que mais sofreram foram as centenas de empresários, trabalhadores e famílias que dependem economicamente de nossa indústria", disseram.
Michael Apted, presidente do Sindicato de Diretores dos Estados Unidos (DGA, em inglês), comemorou a decisão via um comunicado emitido após ser anunciado o resultado da votação dos membros do WGA.
"Os últimos três meses foram dolorosos para milhares de trabalhadores que pertencem ou tem relação com a indústria do entretenimento, e, como todos os demais, nossos membros estão desejando voltar a trabalhar", ressaltou.
O DGA chegou a um acordo com os grandes estúdios em 17 de janeiro sobre o valor que seus membros receberão pela exibição de seu trabalho na internet.
Agora só falta comprovar quando os resultados do retorno dos roteiristas ao trabalho poderão ser vistos, o que a rede de televisão CBS já antecipa para a maioria de suas séries.
"How I Met Your Mother", "The Big Bang Theory" e "Two and a Half Men" serão as primeiras a voltar com novos capítulos, em 17 de março.
Uma semana mais tarde é a vez de "CSI: Miami", enquanto "CSI: New York", e a série que deu origem às duas, "CSI", voltam nos dias 2 e 3 de abril, respectivamente.
"Shark", protagonizada por James Woods, ainda não tem data prevista para retornar.
Além disso, o canal ABC espera poder exibir novo material de séries como "Desperate Housewives" ou "Grey's Anatomy" no início de abril, anunciou a porta-voz Hope Hartman.
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