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16/02/2008 - 17h05

"Tropa de Elite" conquista o Urso de Ouro do Festival de Berlim

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da Folha Online

O filme "Tropa de Elite", de José Padilha, foi premiado neste sábado (16) no Festival de Berlim com o Urso de Ouro de melhor filme, durante a cerimônia de encerramento da 58ª edição da Berlinale.

"Era um prêmio que eu, sinceramente, não esperava", disse Padilha, logo após receber a estatueta.

Markus Schreiber/AP
José Padilha recebe o Urso de Ouro; veja galeria com fotos da premiação
José Padilha recebe o Urso de Ouro; veja galeria com fotos da premiação

O cineasta carioca foi bastante aplaudido pelos mais de mil convidados. Ao subir ao palco do Berlinale Palast para receber o troféu, acompanhado do produtor do filme, Marcos Prado.

A última vez que um filme brasileiro ganhou o Urso de Ouro foi em 1998, com "Central do Brasil", de Walter Salles Jr.. A atriz Fernanda Montenegro, protagonista do filme, conquistou na época o Urso de Prata de melhor atriz pelo papel de Dora, que escreve cartas para analfabetos.

Agradecimento a Costa-Gavras

O filme, o primeiro longa-metragem de ficção de Padilha, é baseado no livro "Elite da Tropa", que narra cenas de violência e corrupção policial no Rio de Janeiro.

"É difícil expressar sentimentos em qualquer língua. Costa-Gavras é um herói para todos na América Latina, por todos os filmes que fez", disse o diretor brasileiro ao receber o prêmio das mãos do presidente do júri, o politizado diretor franco-grego, conhecido a partir do thriller político "Z" (1969).

O longa de Padilha concorria com 20 filmes, e a sua receptividade na crítica especializada durante o festival foi dúbia. Gerou desde críticas --principalmente ao seu excesso de belicismo e ao tom fascista-- quanto elogios --sendo até chamado de "o novo Cidade de Deus."

"Tropa de Elite" ainda teve que superar problemas técnicos durante o festival. O filme foi exibido no original em português com legendas em alemão --o normal são legendas em inglês. Por causa disto, os jurados e o presidente do júri, o cineasta grego Costa-Gavras, tiveram que usar fones de ouvido, com narração em voz feminina.

Na ocasião da exibição do filme em Berlim, Padilha disse acreditar que os críticos estrangeiros que atribuíram ao filme um caráter fascista foram influenciados por colegas brasileiros que reprovam "Tropa de Elite" desde a sua estréia no Brasil.

Além do Urso de Ouro para "Tropa de Elite", o festival deu o Urso de Prata para o documentário "Standard Operating Procedure", de Errol Morris, sobre as torturas a presos iraquianos em Abu Ghraib. Já Paul Thomas Anderson ganhou o Urso de Prata de melhor diretor por "Sangue Negro", que era apontado como um dos favoritos ao prêmio máximo do festival e favorito ao Oscar 2008 no próximo dia 24.

Divulgação
Wagner Moura vive capitão do Bope em "Tropa de Elite"; veja galeria de imagens sobre o filme
Wagner Moura vive capitão do Bope em "Tropa de Elite"; veja galeria de imagens sobre o filme

Acusação de fascista

Sobre as resenhas publicadas, o diretor afirmou: "Uns nos acharam inteligentes, outros fascistas. Na verdade, não me preocupo com isso".

Quando falou da reação a "Tropa de Elite" no Brasil, o cineasta disse durante o Festival: "Temos uma polícia muito corrupta e muito violenta. A população odeia a polícia, com boas razões. Acho que parte do público tomou o filme como uma vingança contra a polícia, o que foi difícil, porque vingança não é um bom sentimento."

Ressaltando que "tudo o que está no filme, de fato, acontece", Padilha mencionou os traficantes brasileiros como violentos e cruéis. Para ele "já é hora de acabar com essas categorizações entre direita e esquerda, porque o que interessa é o que está acontecendo".

Apesar do êxito em Berlim, "Tropa de Elite" não teve a oportunidade de disputar o Oscar 2008. O Ministério da Cultura preferiu indicar "O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias" para concorrer ao prêmio de melhor filme estrangeiro. Porém, o filme dirigido por Cao Hamburger não ficou entre os cinco pré-selecionados pela Academia de Hollywood.

Boa safra brasileira em Berlim

Outros brasileiros presentes nas mostras paralelas do festival também foram premiados. Café com leite, de Daniel Ribeiro, recebeu o Urso de Cristal como melhor curta-metragem da seção de filmes para público infantil e adolescente, Generation 14plus.

Na mesma seção, o longa Mutum, da carioca Sandra Kogut, recebeu uma menção honrosa. Outro representante brasileiro, o filme Tá, de Felipe Sholl, ganhou o prêmio Teddy, destinado aos filmes de temática homossexual, como melhor curta-metragem.

Com agências internacionais

Comentários dos leitores
Diego Centolanza (2) 02/12/2008 11h20
Diego Centolanza (2) 02/12/2008 11h20
Como eu sempre digo: o brasileiro tem mania de reclamar demais. Tem filmes feitos no Brasil que mostram o lado bom da coisa (assista a Guerra dos Rocha, A casa da mãe Joana, Muito gelo e dois dedos d'água). E tem filmes que mostram o lado ruim. Todo país é assim. Hollywood é assim.
A crítica internacional (me refiro à todos esses que tiveram uma má impressão do filme) não gostou do filme talvez porque não tenha idéia de que hoje em dia essa é a realidade do Brasil (e veja bem, não me refiro somente ao Rio de Janeiro). O filma retrata nada mais nada menos do que ações que acontecem com mais freqüência do que se imagina.
É simples criticar. O Difícil é conviver e lidar com a situação.
Por isso, para nós (a maioria dos Brasileiros), o filme é bem-vindo. Porque ele também tem o papel de abrir os olhos de quem vê mas não enxerga o que está acontecendo.
Diego Centolanza.
sem opinião
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Tropa de Elite, em minha modesta opinião, é um dos melhores filmes ja feitos no Brasil. Entretanto, observo que como em bons filmes anteriores como Central do Brasil e Cidade de Deus, só é mostrado as coisas ruins. Os diretores não se preocupam em mostrar alguma coisa bonita nos filmes, como pontos turísticos algo para relaxar etc. So se mostra o lado obscuro, horroroso que também existe no Brasil. Os americanos e europeus, em seus filmes, mostram principalmente o lado bonito de seus cidadãos e de suas cidades, apesar de também existir periferias, desempregados, roubos drogados etc. 3 opiniões
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honestino ribas (3) 17/02/2008 13h35
honestino ribas (3) 17/02/2008 13h35
BRASILIA / DF
O filme tropa de elite já cumpriu um grande papel, por fomentar o debate sobre a forma de ação do estado em relação ao crime e também da sociedade.
Agora, na fase de exibição no exterior e concorrendo a prêmios, vai reestimular uma nova fase, muito boa também.
Quando o Min. da Cultura não escolheu Tropa de Elite para concorrer ao Óscar, mostra que o governo está capturado pelo ideais humanistas de trato com o criminoso, ao passo que o sucesso de público e receptividade do filme demonstra que a sociedade já está farta e querendo reforma da nossa política de segurança pública: mais rigor, menos corrupção, menos impunidade.
Por outro lado, consegui ver algo no filme que poucos falaram aqui: que corrupçaõ dentro de uma corporação se vence com "amor à camisa". Enquanto os servidores públicos de uma instituição, que são os primeiros a verem as irregularidades, continuarem a fazer vistas grossas e tolerarem colegas e superiores corruptos, dificilmente esta instituição será saneada. Se esta é a realidade do
Bope, não sei, pois o filme foi a primeira vez que ouvi falar dest instituição. Mas se é verdade mesmo que lá dentro há um código de honra em favor da ética, e que seus membros fazem questão de estirpar as maçãs podres, acho que está aí uma grande dica de como se pode melhorar nosso sistema de serviços públicos:incentivar os bons, fazer prevalecer os que acreditam que nesse país só prospera quem é "ixperrrto", leva vantagem em tudo...
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