Padilha sabia um dia antes que receberia um prêmio em Berlim
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
O cineasta José Padilha, diretor de "Tropa de Elite", contou que soube que seu filme levaria um dos prêmios do Festival de Berlim um dia antes da entrega. "Eles me ligaram, um dia antes, dizendo para eu permanecer na cidade, que o filme tinha sido premiado. Mas não disseram em qual das oito categorias. O que acontece é que você fica torcendo para perder os outros prêmios. E, quando chega no último, ou é o prêmio especial do júri ou é o Urso de Ouro. Quando foi divulgado o prêmio do júri, a gente já sabia, mas não pôde comemorar. É um negócio emocionante, mas é uma espécie de tortura psicológica também", revelou, nesta segunda-feira, em entrevista coletiva, no Rio.
Padilha observou que foi a Berlim sem expectativas de vitória, e que, durante o tempo em que permaneceu na cidade alemã, se "divertiu, passeou bastante e bebeu cerveja".
Exibição em todo mundo
A consagração de "Tropa de Elite" como melhor filme do Festival de Berlim deverá impulsionar ainda mais a carreira internacional do longa-metragem, avaliou Padilha. Segundo ele, o filme já está negociado para toda a Europa, e, com o prêmio, deverá ser exibido em todo o mundo.
Para o cineasta, a conquista do Urso de Ouro é uma vitória, em vários sentidos, do cinema brasileiro, e vai ampliar o foco sobre os filmes que são produzidos aqui. Padilha ressaltou que, este ano, nove filmes nacionais foram inscritos no Festival de Berlim, o que, segundo ele, comprova o bom momento do cinema brasileiro.
"Isso mostra que o cinema brasileiro está sendo bem visto lá fora. Isso ajuda que sejam feitas mais co-produções, aumenta o interesse de produtoras internacionais e distribuidores de fechar com os filmes daqui", afirmou.
Cidade de Deus
O diretor fez rasgados elogios ao longa "Cidade de Deus", que chegou a ser indicado a quatro categorias no Oscar. Na visão de Padilha, se "Cidade de Deus" não tivesse sido produzido, não existiria "Tropa de Elite".
"Cidade de Deus é um marco, é o filme mais importante da retomada do cinema nacional. Conseguiu um negócio que é estupendo, conseguindo indicações ao Oscar", ressaltou.
José Padilha não quis dar detalhes das negociações para que "Tropa de Elite" seja exibido em série na televisão. Ele disse que ainda não acertou com nenhuma emissora, e não quis fazer previsão sobre quando a série irá ao ar.
"A gente não acertou nada para fazer na televisão", resumiu.
O diretor afirmou que está se dedicando a três projetos. O primeiro deles, é o filme de ficção "Paraísos Artificiais", que será dirigido juntamente com Marcos Prado, de "Estamira". O filme retratará o universo de jovens de classe média que traficam drogas sintéticas.
Padilha trabalha ainda na montagem de dois documentários. O primeiro deles é sobre antropologia, com índios ianomâmis na Venezuela. O outro é sobre a fome.
"Não é a fome do ponto de vista do geógrafo que estuda as populações e faz estatísticas, e sim, do ponto de vista da pessoa que tem que lidar com a fome", explicou.
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