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Ilustrada
27/02/2008 - 08h00

Herdeiro de companhia teatral do Japão rejeita sucessão consangüínea

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GABRIELA MANZINI
da Folha Online

Magosaburo Yuki, 64, não tem mais de 1,60 metro de altura, mas carrega um enorme peso, desde a infância: ser o 12º integrante da família a herdar a companhia de teatro de bonecos Yukiza. Seria um exemplo da conhecida resignação oriental não fosse a naturalidade que usa ao questionar a profissão e, principalmente, a método de transmissão da técnica. "Irei treinar a pessoa que tiver mais habilidade. Não importa se é da família."

Divulgação/Fundação Japão
O manipulador de bonecos Magosaburo Yuki
O manipulador de bonecos Magosaburo Yuki

Nascido artista, Yuki também desfaz o mito da resignação oriental ao afirmar com firmeza que questionou a profissão. "Dos 16 aos 30 anos eu duvidei. Muitas vezes. Mas é o que eu mais sei fazer." E se tivesse tido a oportunidade de escolher? Em bom japonês, ele revela: "um assalariado".

Mesmo um tanto rebelde, Yuki é um homem de gestos contidos. No palco, ele manobra com precisão as 18 linhas que movimentam o rosto de porcelana e a roupa de um boneco. "Para mim, isso [o teatro] é importantíssimo. É algo que meus antepassados construíram e que, se desaparecer, não poderá ser refeito."

Para Yuki, o teatro de bonecos é capaz de "traduzir o lado mais sombrio da alma do japonês", porque lê os hábitos cotidianos. "Como temos o costume de ficar descalços e de sentar nos tatames, o centro do nosso corpo é mais baixo, e temos a expressão mais para dentro que para fora, como são os brasileiros."

Em pouco mais de dez dias, Yuki, a irmã dele, Chie Yuki, também manipuladora de bonecos, e outros 12 artistas se apresentaram em Santos (SP), no Rio e Brasília. Nesta quarta-feira e amanhã (28) eles estarão em São Paulo, no Teatro Sesc Consolação (rua Doutor Vila Nova, 245, centro, tel.: 0/xx/11 3234 3000). Os ingressos estão esgotados. O espetáculo integra a agenda de comemorações pelo centenário da imigração japonesa no Brasil, comemorado neste ano.

Colaborou como intérprete a assessora cultural sênior da Fundação Japão, Michiko Okano

 

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