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Ilustrada
22/02/2008 - 09h01

Iraniana sai em defesa da individualidade

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RICARDO CALIL
do Guia da Folha

Nas últimas décadas, a arte confessional saiu de moda e, em casos extremos, virou alvo de deboche. Mas há sempre exceções. E a iraniana Marjane Satrapi é das mais interessantes. Ela vai contra essa tendência para criar uma obra feita orgulhosamente a partir do próprio umbigo. Primeiro, com a "graphic novel" "Persépolis", memória de sua infância e adolescência no Irã. Agora, com o filme de animação homônimo, co-dirigido pelo francês Vincent Paronnaud, com as vozes de Chiara Mastroianni e Catherine Deneuve.

Em uma mistura entre o didático e o afetivo, a política e a puberdade, livro e filme mostram a história recente do Irã --do decadente final do regime do xá até o opressor fundamentalismo pós-Revolução Islâmica-- pelos olhos de Satrapi, filha de intelectuais, fã de Bruce Lee e Iron Maiden e questionadora por excelência. Ainda que qualquer tipo de profundidade tenha sido sacrificada na transição para a tela, "Persépolis" (indicado para o Oscar de animação) ainda é uma encantadora defesa da individualidade contra a hegemonia, que se estende até ao tipo de animação, um preto-e-branco elementar, mas cheio de atitude, como o confessionalismo de Satrapi.

Divulgação
Cena da animação, inspirada na HQ de Marjane Satrapi que disputa o Oscar, veja a galeria de imagnes
Cena da animação, inspirada na HQ de Marjane Satrapi que disputa o Oscar, veja a galeria de imagnes
 

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