Sean Penn faz manifesto neo-hippie poético
SÉRGIO RIZZO
do Guia da Folha
O que teria levado Christopher McCandless --jovem de família abastada, recém-formado em boa universidade-- a abandonar tudo e começar outra vida? Com o nome de Alex, ele perambulou durante cerca de dois anos como mochileiro pelos EUA até chegar à sua última parada, um ônibus abandonado em região inóspita do Alasca, onde morreu isolado, em 1992.
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| O ator Emile Hirsch em cena do filme "Na Natureza Selvagem", de Sean Penn, que concorre ao Oscar de ator coadjuvante e edição |
No livro-reportagem "Na Natureza Selvagem", publicado no Brasil pela Cia. das Letras, o jornalista Jon Krakauer oferece respostas a partir dos depoimentos da família, de amigos e pessoas que o conheceram durante a jornada. Essa negação radical da sociedade de consumo, acompanhada de um fascínio pela vida na natureza, foi trabalhada pelo ator, roteirista e diretor Sean Penn como espécie de manifesto neo-hippie no filme homônimo, que disputa no próximo domingo o Oscar de ator coadjuvante (Hal Holbrook) e edição.
Em seu quarto longa-metragem na direção, Penn demonstra nutrir, a exemplo de Krakauer, simpatia pela figura de Chris (Emile Hirsch, de "Alpha Dog"). Poderia tratá-lo como um maluco, talvez da mesma estirpe do protagonista de "O Homem Urso" (05), de Werner Herzog, mas prefere reconstituir sua história com poesia e romantismo.
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