Jean Wyllys diz que beijo gay em "Queridos Amigos" é um avanço
MIGUEL ARCANJO PRADO
da Folha Online
O jornalista e escritor Jean Wyllys assistiu, na noite da última terça-feira, à cena do beijo gay entre os personagens Benny (Guilherme Weber) e Pedro (Bruno Garcia), na minissérie "Queridos Amigos". Ele classifica a exibição do beijo pela Globo como "um avanço". Ele conversou com a Folha Online no fim da noite desta quarta-feira (27).
| Divulgação |
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| Escritor Jean Wyllys assistiu à cena de beijo gay em "Queridos Amigos" |
"Não foi um beijo recíproco, como a gente sempre espera, mas já foi um avanço. O beijo foi muito bem colocado pela Maria Adelaide Amaral [autora da minissérie], de uma forma bem sensível", avalia. Jean diz que a situação mostrada na TV é comum: "É bastante comum um gay se apaixonar por um hétero. De toda forma, o que foi ao ar foi a representação de um beijo de um homem em outro homem", diz o escritor.
Em agosto do ano passado, a Globo exibiu cenas de beijo gay, durante a entrevista da modelo e apresentadora Daniella Cicarelli no "Programa do Jô". A emissora carioca mostrou imagens das versões do "Beija Sapo", programa que Cicarelli apresentava na MTV, com participantes homossexuais (homens e mulheres). No momento do close nos beijos, as cenas ocuparam tela inteira.
Em 2003, a emissora exibiu um tímido beijo entre as personagens lésbicas interpretadas por Alinne Moraes e Paula Picarelli, no último capítulo da novela "Mulheres Apaixonadas". Em 2005, a Globo vetou o beijo gay entre os personagens de Bruno Gagliasso e Herom Cordeiro, no último capítulo da novela "América".
"Armário Embutido"
Jean Wyllys se prepara para estrear um programa no segundo semestre, no Canal Brasil. Com direção de Luiz Carlos Lacerda, a atração foi batizada de "Armário Embutido". "É um programa sobre os produtos culturais dedicados ao público homossexual no eixo Rio-São Paulo. Vamos tratar de literatura, cinema e comportamento. O programa não será para gueto, mas para todo mundo", disse Lacerda à Folha Online.
"G Magazine"
Jean Wyllys disse que não sabe se vai continuar com a coluna na revista "G Magazine", que mudou de dono recentemente. "Eu tinha um compromisso muito grande com a Ana Fadigas [antiga editora da publicação] e acreditava muito na linha editorial que ela adotava, que era única. Misturava militância, espaço para escritores e temas mais intelectuais, sem deixar de lado o entretenimento e as fotos de nus. Com a mudança, ainda não sei como vou ficar. Até agora, não fui procurado pelos novos donos. Mas já adianto que, se a nova 'G' ficar muito sexualizada, não pretendo ficar", afirma.
O diretor Luiz Carlos Lacerda, que já foi entrevistado pela "G", também disse que vai ficar triste, caso a publicação se volte estritamente para o o mercado erótico: "A 'G' era a única que conseguia equilibrar a produção do pensamento homossexual com o lado do erotismo também. Se ficar só uma coisa, será uma grande pena", concluiu o cineasta.
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