Iron Maiden inicia turnê saudosista
MARCO AURÉLIO CANÔNICO
da Folha de S.Paulo
Foi um dos primeiros shows de multidão que o país viu, parte de uma das turnês mais bem-sucedidas da história do heavy-metal, e agora está de volta.
Os ingleses do Iron Maiden retornam ao país e a 1985, ano do histórico show no primeiro Rock in Rio, com sua turnê atual, "Somewhere Back in Time", que chega a São Paulo no próximo domingo e depois segue para Curitiba (4/3) e Porto Alegre (5/3), com ingressos já esgotados nas três cidades.
Com repertório baseado na melhor fase da banda --do álbum "The Number of the Beast" (1982) ao "Seventh Son of a Seventh Son" (1988)--, mais o célebre cenário egípcio da turnê do "Powerslave" (1984), este mergulho no passado tem causado frenesi nos fãs.
Em Bogotá, onde a banda toca hoje, a imprensa local noticiou que centenas de fãs estavam acampados desde anteontem à espera do show. Em São Paulo, as 37 mil entradas postas à venda (em dezembro passado) esgotaram-se em dez dias.
"É um público novo, que já nos assistiu antes, mas não com esse cenário egípcio, numa turnê como essa", diz Dave Murray, um dos três guitarristas da banda, em entrevista à Folha por telefone, minutos antes de entrar no palco em Los Angeles. "Estamos fazendo basicamente o mesmo 'set list' em todos os shows, centrado nos discos do passado."
Visitantes freqüentes
Os números dão uma dimensão do fenômeno de massa que é a banda no país: será a sétima visita do Maiden --as outras foram em 1985, 1992, 1996, 1998, 2001 e 2004--, que vai chegar a 16 apresentações no Brasil, sempre lotadas.
Um dos membros mais antigos da banda --só perde para o fundador, o baixista Steve Harris--, Murray conhece bem a idolatria dos fãs brasileiros.
"É realmente incrível. Sempre tivemos uma grande recepção por aí e vamos fazer um grande show, vai ser a experiência completa."
O icônico mascote da banda, o morto-vivo Eddie (cuja aparição é um dos pontos altos dos shows), é uma das mudanças.
"Usamos um outro Eddie desta vez, não é a versão múmia, como na turnê de 1985, mas aquele exterminador futurista, do 'Somewhere in Time'."
A outra diferença notável em relação ao show do primeiro Rock in Rio (além do repertório mais amplo) está na formação da banda, que agora tem seis integrantes --Murray, Harris, Bruce Dickinson (vocal), Nicko McBrain (bateria) e os guitarristas Adrian Smith e Janick Gers (ausente em 1985).
"Como temos três guitarras agora, as músicas têm algumas nuances diferentes. A vibração também é diferente, porque as canções se tornaram clássicos."
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