Ilustrada
29/02/2008 - 08h42

Marília Pêra fará outra montagem de "Irma Vap"

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LUCAS NEVES
da Folha de S.Paulo

Esta é para Miguel Falabella, que dá os primeiros passos em direção de cinema com "Polaróides Urbanas" (estréia de hoje) emoldurar e pregar na parede da sala: "O estilo dele me lembra o do Woody Allen, tem um tipo de delicadeza, de graça sutilíssima".

A comparação é da atriz Marília Pêra, que vive as irmãs gêmeas Magali e Magda na adaptação da peça "Como Encher um Biquíni Selvagem", e emenda mais elogios ao diretor estreante: "Às vezes, os atores se enredam em nós, complicações que parecem insolúveis, e um colega [diretor que seja também ator] tem mais facilidade de chegar nesse ponto do que um grande encenador ou realizador de imagens. O Miguel tem essa objetividade."

19.fev.2008/Caio Guatelli/Folha Imagem
Marília Pêra durante entrevista em evento sobre "Polaróides Urbanas"
Marília Pêra durante entrevista em evento sobre "Polaróides Urbanas"

Nos palcos, ela própria anda bastante requisitada para desatar os tais nós. Sua agenda de diretora neste ano é encabeçada pela remontagem de "O Mistério de Irma Vap", cuja versão original (também comandada por ela) ficou 11 anos em cartaz e fechou suas cortinas como um dos maiores sucessos da história do teatro brasileiro.

Nos papéis que couberam a Ney Latorraca e Marco Nanini, entram Cássio Scapin ("Andaime") e Marcelo Médici ("Cada Um com Seus Pobrema"). A estréia está prevista para o fim de setembro, em São Paulo.

Se alguém duvida que Pêra consiga replicar a ágil movimentação cênica (com trocas frenéticas de figurino) que celebrizou o primeiro "Irma", ela avisa: "Quando releio o texto, vejo que todos os truques de cena estão na minha cabeça. Mas como o cenógrafo, o figurinista e os tempos são outros, estou aberta a sugestões".

Palpites que poderão vir também dos atores. Scapin afirma que a tecnologia disponível hoje incrementaria uma ou outra cena, mas frisa que a essência do vaudeville de Charles Ludlam não mudou: "Como é um espetáculo de virtuosismo, tudo será feito em cima do físico. As coisas que possam surgir não terão arcabouço intelectual, serão resultado da prática [ensaios]".

Comédia no Rio

Antes do novo "Irma", Pêra dirige Reynaldo Gianecchini e Camila Morgado na comédia "Doce Deleite", de Alcione Araújo, reunião de esquetes protagonizados por personagens ligados ao teatro, como a bilheteira, a grande dama, o contra-regra e o cantor de ópera. A estréia é em maio, no Rio, com temporada paulistana a partir de setembro.

Sim, você leu certo: Camila Morgado, de "Olga" e "A Casa das Sete Mulheres", fará rir. "A Camila é engraçadíssima, tem um 'não se dar tanta importância' que é essencial a qualquer comediante. E conhece o efêmero da vida", diz Pêra.

Ainda em 2008, ela pretende orientar os ensaios de "A Condessa", que narra a formação de um triângulo amoroso entre um crítico de arte, uma bela mulher e um jovem pintor, e "A Dama da Van", sobre um escritor que abriga uma mendiga "imunda, mal-educada mas pianista exímia" no jardim de sua casa por 15 anos. Ela quer Ney Latorraca no papel da senhora malcriada.

E há também o espetáculo sobre a vida de Dercy Gonçalves que Fafy Siqueira deve estrelar. "Pedi que a [autora] Maria Adelaide Amaral botasse em cena um homem e uma mulher para serem maltratados pela Dercy. O público adora ver gente maltratada, né", diverte-se.

"Louco" do Ivaldo

Tantos compromissos como diretora não vão tornar bissextas suas aparições como atriz? "Não faço muito planejamento. É que tenho recebido muitos convites para dirigir, e é um pouco por ordem de chegada."

Boa notícia: no "guichê" de Pêra, a "senha" do coreógrafo Ivaldo Bertazzo, que a chamou para atuar em seu próximo espetáculo, está prestes a ser chamada. Ela se muda para São Paulo em junho, já que "o louco do Ivaldo" pretende estrear em agosto sua revisão histórica do musical brasileiro. "Ele é o Glauber Rocha da dança", pontifica a atriz.

 

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