Ilustrada
09/03/2008 - 15h13

Com tema atual, montagem brasileira de "West Side Story" é fiel à Broadway

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GABRIELA QUINTELA
da Folha Online

Mais um musical sobre o "American way of life" está em cartaz em São Paulo. Assim como "Miss Saigon", "West Side Story" faz uma crítica aos Estados Unidos a partir de um romance entre um norte-americano e uma estrangeira.

A peça, que estreou neste sábado no Teatro Alfa, é dirigida pelo libanês Jorge Takla --responsável por outras montagens do gênero, como "My Fair Lady"-- e se mantém fiel ao espetáculo da Broadway. Há poucas adaptações no texto de Arthur Laurents, e os atores seguem a partitura original das canções.

Divulgação
Bianca Tadini (Maria) e Fred Silveira (Tony) protagonizam o musical
Bianca Tadini (Maria) e Fred Silveira (Tony) protagonizam o musical

"West Side Story" conta o romance entre o norte-americano Tony e a porto-riquenha Maria. A história de amor é inspirada na peça "Romeu e Julieta", de Shakespeare. Mas em "West Side Story", o que atrapalha o casal não é a rivalidade entre famílias poderosas, mas o preconceito étnico.

"É uma história bastante atual, que poderia se passar em qualquer cidade grande", avalia o ator Fred Silveira, 35, que vive o protagonista Tony.

No musical, uma rua do West Side de Manhattan é dividida por duas gangues: os Sharks, de imigrantes porto-riquenhos, e os Jets, de americanos brancos. Mas estes americanos não fazem parte do restrito mundo "wasp" (iniciais em inglês de branco, anglo-saxão e protestante) da América e também sofrem discriminação: são filhos de imigrantes de países europeus menos ricos.

"Os americanos da peça também são marginalizados", diz Silveira. "Tony é descendente de poloneses."

O ator conta que começou a se preparar para os testes de "West Side Story" assim que soube da montagem. "Eu sabia que o único personagem para mim nesta peça era o Tony", diz. Ele avalia que o protagonista lhe permite mostrar seus pontos fortes --o canto e a atuação-- e exige menos na dança. "Eu não sou um bailarino, sou mais ator e mais cantor". Em "My Fair Lady", ele interpretou Freddy Eynsford-Hill, o jovem que se apaixona pela protagonista Eliza Doolittle, e cantava uma das músicas mais bonitas da peça, "Na Rua Onde Mora Você" (versão de Claudio Botelho para "On the Street Where You Live").

Outro ator de "My Fair Lady" presente na montagem de "West Side Story" é Francarlos Reis. E Bianca Tadini, a Maria, era cover --uma espécie de substituta-- de Amanda Acosta no papel de Eliza Doolittle.

Contestação

Assistir "West Side Story" é mergulhar numa época tensa na história dos Estados Unidos, de contestação ao sonho americano. Foi na década de 50 que ícones rebeldes como Marlon Brando e James Dean mudaram o perfil dos astros de Hollywood, os beatniks inovaram na literatura, e o tênis e a calça jeans começaram a virar moda entre os jovens.

João Caldas/Divulgação
Cena do musical "West Side Story", dirigido por Jorge Takla
Cena do musical "West Side Story", dirigido por Jorge Takla

Hoje um clássico, "West Side Story" completou 50 anos em setembro do ano passado. Canções bastante conhecidas, como "Tonight" e "Maria", surgiram da parceria entre o compositor Leonard Bernstein e o letrista Stephen Sondheim. Mas, em 1957, quando estreou na Broadway, a peça surpreendeu o público com temas pouco comuns aos musicais da época, como preconceito e violência urbana.

A adaptação para o cinema veio em 1961. Estrelado por Natalie Wood e Richard Beymer, e dirigido por Jerome Robbins e Robert Wise (este último dirigiu, mais tarde, "A Noviça Rebelde"), o filme recebeu no Brasil o título "Amor, Sublime Amor" e venceu 10 prêmios Oscar. Os protagonistas foram dublados nas canções e muito do teor de violência da trama foi suavizado em Hollywood.

Beleza

O segundo casal em importância na peça, os porto-riquenhos Anita e Bernardo, foi vivido no cinema por Rita Moreno e George Chakiris, atores que não chamavam atenção pela beleza. Já na montagem brasileira, o casal é um deleite para os olhos --Sara Sarres e Adalberto Halvez capricham no palco para expressar a sensualidade dos latinos.

Halvez, 39, veterano de musicais como "Chicago", "My Fair Lady" e "A Bela e a Fera", se diz "um ator e bailarino que canta". Ele enfrentou nos últimos meses a rotina de ensaios de nove horas por dia, além de fazer outras preparações, como ginástica e cuidado com a alimentação, e afirma que o esforço foi recompensado. "O Takla é um grande diretor, que te permite construir a história com ele."

O musical deve ficar em cartaz até o dia 27 de julho. Claudio Botelho assina as letras das canções, o maestro Luis Gustavo Petrim é responsável pela direção musical, e Tânia Nardini reproduziu a premiada coreografia de Jerome Robbins.

"West Side Story"
Quando: quinta e sexta, às 21h; sábado, às 17h e 21h; domingo, às 18h
Onde: Teatro Alfa (r. Bento Branco de Andrade Filho, 722, Santo Amaro, SP - tel. 0/xx/11/5693-4000)
Quanto: de R$ 40 a R$ 150

 

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