Diretores estrangeiros estão em alta nos EUA
da Reuters, em Nova York
O trailer de um novo filme da Universal, "Wanted", tem muitas das marcas registradas de um típico blockbuster de verão: cortes ágeis, ação cheia de efeitos especiais e Angelina Jolie sentada sobre o capô de um Viper vermelho.
Mas então aparecem os créditos, e vemos que o diretor é Timur Bekmambetov, cineasta russo que não chegou a ficar mundialmente conhecido com trabalhos anteriores como "Guardiões da Noite".
Bekmambetov não é exatamente o primeiro diretor estrangeiro a tentar o sucesso nos Estados Unidos. De Anatole Litvak a Paul Verhoeven e Roland Emmerich, diretores estrangeiros vêm chegando a Hollywood, vindos de países em que não se fala o inglês.
Mas os diretores geralmente levam anos para ter a chance de trabalhar com uma grande produção.
Já Bekmambetov simboliza a crescente confiança dos estúdios nos diretores importados, pulando a fase do aprendizado com as produções de baixo orçamento para cair de sola em projetos que custam 50 ou 100 milhões de dólares.
A lista de diretores que estão dando o salto de produções locais para grandes produções americanas é ampla e diversificada.
Francês e espanhol
O francês Jean-Marc Vallee mal tinha sido notado pelo público americano por seus filmes em língua estrangeira, como "C.R.A.Z.Y. -- Loucos de Amor", mas isso não impediu o produtor Martin Scorsese de contratá-lo para dirigir "The Young Victoria".
A United Artists provocou sensação em Sundance quando confirmou que Nacho Vigalondo, o cineasta espanhol responsável pelo independente falado em língua estrangeira "Timecrimes", vai escrever e dirigir uma adaptação de seu filme em língua inglesa.
Um brasileiro no pedaço
Fernando Meirelles, de "Cidade de Deus" e "Jardineiro Fiel", está dirigindo "Ensaio sobre a Cegueira", a grande aposta da Miramax para 2008.
| Julia Moraes/Folha Imagem |
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| Diretor brasileiro Fernando Meirelles é uma das apostas de Hollywood |
E, é claro, há os "três amigos" do Festival de Cannes do ano passado: Alfonso Cuaron, Guillermo del Toro e Alejandro Gonzalez Inarritu, que fecharam com a Universal um acordo para dirigirem cinco filmes.
"Nos anos 1960, era a Nouvelle Vague francesa. Nos anos 1970, foi a geração seguinte de grandes cineastas americanos", diz Nathan Ross, da International Creative Management. "Nesta década o foco está voltado à nova geração de diretores estrangeiros."
É claro que uma das razões que está levando os estúdios a dar as boas-vindas a diretores estrangeiros é que a opção faz sentido econômico.
"Você pode estar gastando bem mais com a produção propriamente dita, mas poupar dinheiro com o salário do diretor, contando com o mesmo nível de talento", explica um agente.
A situação atual é uma dicotomia incomum. Os filmes estrangeiros nunca antes ganharam tão pouca atenção nos EUA, mas os diretores estrangeiros nunca antes viveram uma alta tão grande.
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