Peça "Rosa de Vidro" mostra a loucura de uma menina perdida em si mesma
MIGUEL ARCANJO PRADO
da Folha Online
A peça "Rosa de Vidro", livremente inspirada na obra Tennessee Williams (1911-1983), fala de uma menina que poderia ser feliz, não fossem os problemas decorrentes de sua aparente loucura. Em cartaz no Espaço dos Satyros 1, no centro de São Paulo, o espetáculo traz a história de Rose, interpretada com candura por Julia Bobrow. Ela é uma menina que vive com sua mãe e seu irmão mais velho, em um lugar onde as perspectivas de futuro não são muitas.
| Divulgação |
![]() |
| Atriz Júlia Bobrow encena peça "Rosa de Vidro" em São Paulo, no Espaço dos Satyros |
O irmão sonhador e poeta, Tom, é interpretado por Tales Penteado, que mostra competência nas cenas de embate com a mãe amarga, vivida por Victoria Camargo, que é o grande destaque do elenco. Ainda está em cena Ricardo Gelli, que vive Jim, o amigo de Tom.
A luz de Fábio Retti ajuda a criar o ambiente do drama que se passa no palco, numa mistura de memória e sonho da protagonista. O cenário chama atenção ao usar grandes panos de dupla face, que se transformam em novos pisos onde o elenco atua. Outro destaque é a caixa de vidro que aprisiona Rose. A mesma estampa presente no chão está ainda nas meias usadas pelos personagens, no figurino de Benê Calistro.
O texto é assinado por João Fábio Cabral, que se inspirou em Rose Williams, a única irmã de Tennessee, para criar seu texto. Ele usou relatos na obra do dramaturgo que falavam dessa mulher tão importante na vida de Williams. O diretor Ruy Cortez mostra competência na direção de atores, com um elenco concentrado e afinado nessa triste e bela história.
Rosa de Vidro
Quando: terça e quarta, às 21h (até 26 de março)
Onde: Espaço dos Satyros 1 (pça. Roosevelt, 214, Centro, São Paulo - tel. 0/xx/11/3258-6345)
Quanto: R$ 20
Leia mais
- Atriz Clarice Niskier seduz pelo despojamento, mas peça apenas repete frases de efeito
- Prêmio Shell de Teatro de São Paulo será entregue nesta terça-feira
- Com palpites de Paulo Autran, peça "Amigas, Pero no Mucho" estréia no Rio
- Peça "Simceramante" é prorrogada até 27 de abril
- Livro explica vida e carreira do diretor teatral Zé Celso Martinez Corrêa
Especial


