Ilustrada
19/03/2008 - 15h10

Cinco mulheres contam curiosidades de viagens pelo Brasil

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MIGUEL ARCANJO PRADO
da Folha Online

Chega às livrarias neste mês em que foi comemorado o Dia Internacional das Mulheres um livro sobre as andanças de cinco jornalistas pelo Brasil. "Mulheres sobre Rodas", publicação da Geração Editorial, foi escrito através da parceria das repórteres Alexandra Gonsalez, Beatriz Santomauro, Cristina Capuano, Karina Greco e Sonia Xavier.

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Da esquerda para a direita: karina Greco, Sonia Xavier, Alexandra Gonsalez, Cristina Capuano e Beatriz Santomauro, autoras de "Mulheres sobre Rodas"
Karina, Sonia, Alexandra, Cristina e Beatriz contam "causos" em "Mulheres sobre Rodas"

Elas viajaram por sete anos, percorrendo mais de 87 mil quilômetros, quando somadas todas as 25 viagens.

As cinco contam detalhes e curiosidades dos lugares visitados. A obra é separada em capítulos temáticos, que falam de animais e de cenários inesquecíveis, entre outros temas. Tem até um capítulo dedicado a casos sobrenaturais. "Encontramos muitas histórias curiosas, daquelas típicas do interior do Brasil", revela à Folha Online a baiana Sônia Xavier.

A jornalista lembra que a idéia de reunir as histórias das viagens em um livro surgiu em março do ano passado, quando conversava com Alexandra Gonsalez. "Nossas histórias já faziam sucesso nas conversas com os amigos e achamos que daria um bom livro", diz.

Sônia conta que não tem problemas em viajar sozinha: "Em geral, as mulheres viajantes são bem-tratadas e eu diria que causam um certo espanto que inibe qualquer investida", afirma. "As pessoas nos vêem sozinhas e acabam nos adotando", afirma.

Trecho do livro

Confira, abaixo, uma das histórias do livro, contada por Alexandra Gonsalez:

"Levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima... Depois daquela tarde ensolarada na praia do Arpoador, no Rio, entendi exatamente o significado desse verso. Após muito correr naquela primeira semana carioca em 2003, decidi aproveitar o meio dia de folga que me restava: vesti meu biquíni e fui tomar sol. Escolhi o Arpoador de maneira aleatória. Todo mundo falava do pôr-do-sol dali, então resolvi chegar bem mais cedo e me estirar na areia até a Lua despontar. Achei estranho aquele monte de surfistas entre as crianças e a moçada que circulava com seus lindos cães de raça - afinal, as ondas nem eram assim tão altas.

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"Mulheres sobre Rodas"
Capa do livro "Mulheres sobre Rodas", que conta fatos enfrentados pelas jornalistas

Estendi minha canga, comprei um providencial pacote de 'bishhhhcoito' Globo com um sacolé de groselha e fiquei tostando. Até que bateu aquela vontade de dar um mergulho. Humm, praia de tombo", pensei, depois de dar dois passos mar adentro e a água quase bater na minha cintura. Nadei para cá e para lá, tudo lindo e maravilhoso. Subitamente, enquanto me preparava para sair, todos os surfistas dispararam rumo ao mar. A maré mudou justo naquela hora e o mar razoavelmente calmo transformou-se em uma seqüência considerável de ondas.

A primeira delas arrebentou em minha cabeça e, zombeteira, me jogou quase na barra da areia para logo me puxar de volta. Fiquei embolada nesse estica-e-puxa das ondas por quase dez minutos - com toda uma platéia de surfistas observando minha luta, indecisos entre rir ou me ajudar. Até que resolvi sair daquela centrífuga a qualquer custo. Aproveitei o impulso de uma onda e me arrastei engatinhando para fora d'água. Toda desgrenhada, estatelada na beira do mar, parecia um travesti altamente siliconado, de tanta areia que saía pelo biquíni. Naquelas alturas, já deveria haver umas vinte pessoas rindo abertamente do meu mico.

Levantei morrendo de vergonha, com os joelhos e a barriga sangrando, mas respirei fundo, com ares de 'não tô nem aí, adorei a esfoliação grátis'. Fui em direção às minhas coisas resmungando frases desconexas em alemão - menos constrangedor do que meu sotaque paulistano -, enquanto fazia da canga minha burca e saía da praia, deixando um rastro de areia molhada para trás. Ainda deu tempo de ouvir uma moça comentando com a amiga: 'Tinha que ser gringa!'. E lá fui eu, contemplar o pôr-do-sol do chuveiro do hotel."

 

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