Curta capixaba foi o grande vencedor do festival de Sergipe
MÁRCIO DINIZ
da Folha Online, em Aracaju
O filme "No Princípio Era o Verbo", da diretora capixaba Virgínia Jorge, foi o grande vencedor da 7ª edição do Festival Luso-Brasileiro de Curtas-Metragens de Sergipe (Curta-SE 7), que ocorreu na cidade de Aracaju. O curta produzido em 35 mm foi escolhido o Melhor Filme nas categorias júri oficial e popular.
| Janaína Santos/Divulgação |
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| Vírginia Jorge (à esq.) recebe de troféu de melhor filme pelo júri do Curta-SE 7 |
Para a mostra competitiva deste ano foram selecionados 48 trabalhos entre os 486 inscritos.
"No Princípio Era o Verbo" narra, de forma bem-humorada, três histórias que se desenrolam simultaneamente num bar em pleno Carnaval e que tem como eixo principal o conceito sobre a verdade e a busca pelas respostas às dúvidas do cotidiano, como a invenção da roda ou o modo de vida de outras culturas. O filme, exibido na noite de quinta-feira, foi muito aplaudido pela platéia.
"É minha primeira participação no Curta-SE e já recebi dois prêmios. Estou ainda mais feliz por ter o reconhecimento do público. Foi um grande prazer participar deste festival e quero estar presente na próxima edição", disse a diretora capixaba após receber as duas estatuetas.
A animação "Vida Maria", de Márcio Ramos, ganhou como o melhor trabalho com a temática nordestina e recebeu o prêmio de R$ 10 mil, cedido pelo Banco do Nordeste. O filme trata de forma sensível a falta de perspectiva da grande maioria das mulheres pobres que vivem nos confins do Nordeste, aqui representada por Maria José que aos 5 anos é obrigada a largar os estudos para trabalhar e ajudar a família. Ela cresce, casa, tem filhos e envelhece. Esse mesmo ciclo de sua vida é repetido por sua filha.
Na categoria documentário 35 mm foi premiada a produção "O Homem Livro", de Anna Azevedo, que fala da paixão um homem pelos livros. O curta mostra a dedicação do sergipano Evando dos Santos pelos seus 42 mil livros amontoados em sua casa no subúrbio carioca e que tem como sonho abrir uma biblioteca para a comunidade carente de seu bairro.
| Janaína Santos/Divulgação |
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| Anna Azevedo recebe troféu de melhor documentário em 35 mm por "O Homem Livro" |
O melhor curta de ficção em 35 mm foi "Joyce", de Caroline Leone. O filme aborda o sonho de uma garota de 12 anos, que mora em uma favela da zona sul de São Paulo, em ser uma dançaria de TV.
"Uma Vida e Outra", de Daniel Aragão, que toca na questão da gravidez na adolescência e do aborto, ficou com o prêmio especial do júri.
Pela qualidade dos 48 trabalhos selecionados para a mostra competitiva deste ano, o júri decidiu fazer três menções honrosas --"Yansan", de Carlos Eduardo Nogueira, "Trecho", de Clarissa Campolina e Helvécio Marins, e "Noite de Sexta, Manhã do Sábado", de Kleber Mendonça Filho, foram premiados.
Vídeos
Na categoria vídeo o grande vencedor foi "Mauro Shampoo - Jogador, Cabeleireiro e Homem", de Paulo Henrique Fontenelle, que recebeu os prêmios de Melhor Filme e Melhor Documentário nas categorias júri oficial e popular.
O documentário retrata a carreira do ex-jogador e folclórico cabeleireiro Mauro Shampoo, que alcançou a "fama" como atleta símbolo do Ibis Sport Clube, de Pernambuco, que foi apontado pelo "Guiness Book" como "O Pior Time de Futebol do Mundo".
"Meus Amigos Chineses", de Sérgio Sbragia, recebeu prêmio de Melhor Ficção. Já "Hotel do Coração Partido", de Raoni Assis, venceu na categoria Melhor Vídeo de Animação.
A menção honrosa do júri foi para "Maria Dushenes - O Espaço do Movimento", de Sérgio Roizenblit e Inês Bogea. "Nanquim", de Maurício Copetti, recebeu a menção de vídeo experimental.
Sergipanos
O melhor trabalho sergipano escolhido pelo júri oficial e pelo público foi "Epiphanie", de Gabriela Caldas, que recebeu o prêmio de R$ 5 mil. Concorreram na categoria oito trabalhos.
O jornalista Márcio Diniz viajou a Aracaju a convite da organização do festival



