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Ilustrada
23/03/2008 - 15h04

Personagem portuguesa é a destaque de "Três Mulheres e Aparecida"

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MIGUEL ARCANJO PRADO
enviado especial da Folha Online a Curitiba

A montagem baiana "Três Mulheres e Aparecida" marcou o começo do Festival de Curitiba. Dentro da mostra de teatro contemporâneo, a principal do evento, o monólogo do Theatro 18 conta a história do descobrimento do Brasil e da mistura das três etnias principais na formação do povo brasileiro, através da visão de Aparecida, uma mendiga que conversa com seu rato Vicente. O grupo tem sede no Pelourinho, coração do centro histórico de Salvador, e se apresentou no Sesc da Esquina, em Curitiba, na última quinta e sexta.

Aparecida e as outras três mulheres do espetáculo --a índia, a portuguesa e a negra-- são interpretadas por Rita Assemany, com direção de Nadja Turenko para o texto de Aninha Franco, feito na época das comemorações dos 500 anos do descobrimento do Brasil, em 2000.

Divulgação
Rita Assemany impressiona ao interpretar as quatro personagens
Rita Assemany impressiona ao interpretar as quatro personagens

Das quatro personagens, a que mais chama a atenção do público é a portuguesa Maria Pureza, revoltada por ter se tornado cozinheira de tripas em terras tupiniquins, e que sonha em voltar a Lisboa. Rita acerta no andar típico da personagem, que caminha como se dançasse o vira-vira, provocando gargalhadas na platéia.

A atriz também desempenha bem o papel da escrava Luedji, que atravessou o Atlântico nos porões fétidos dos navios negreiros. A índia tupinambá Jacapu Coema, por sua vez, é a mais fraca das personagens, fazendo com que o começo do espetáculo seja enfadonho. A peça só engrena quando a portuguesa entra em cena, após a índia, que abre a peça. É Maria Pureza quem cativa o público, que mais tarde vai se emocionar com o drama da negra Luedji.

Tanto o cenário quanto os figurinos são obras de Gilson Rodrigues. Ele acerta na distribuição de cerca de 30 tambores de metal sobre o palco que ganha uma tonalidade cobre. E nos figurinos simples e bem elaborados que ajudam a atriz na caracterização de cada uma das quatro mulheres.

Em um dos tambores, uma gota de água que cai insistentemente serve para abrir e fechar a montagem. Outro destaque é a brincadeira que a diretora propõe à fala onomatopéica do monólogo, algumas vezes ecoada dentro dos tambores.

A peça traz ainda referências que vão de Chacrinha ao atentado às Torres Gêmeas, em Nova York, e assume tom político ao criticar a corrupção. No começo e no fim do espetáculo, Aparecida torna-se uma espécie de Nossa Senhora da vida real, numa bela alegoria à imagem da santa, rodeada de luzinhas que lembram altares das igrejas do interior de Minas e da Bahia.

O repórter viajou a convite do Festival de Curitiba.

 

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