Ilustrada
25/03/2008 - 08h53

Série leva famosos a "mundo real"

CRISTINA FIBE
da Folha de S.Paulo

Joaquin Phoenix convive com índios na Amazônia, Mos Def passeia com MV Bill na Cidade de Deus, Cameron Diaz se desculpa por gafe no Peru...

Para o programa "Famosos no Mundo Real" ( "4Real"), que estréia nesta quinta-feira no National Geographic, a realidade do título está nos "países em desenvolvimento", e um jeito interessante de mostrá-la é colocando-a lado a lado com famosos "acima do normal".

Karel Navarro/AP
Cameron Diaz fotografa com a bolsa polêmica a tiracolo no Peru
Cameron Diaz fotografa com a bolsa polêmica a tiracolo no Peru

Dos oito episódios, dois se passam no Brasil e dois em lugares que são exceção à regra: Vancouver, no Canadá, com a atriz Eva Mendes (este, o único que não deve ser exibido no Brasil), e Oklahoma, nos EUA, com o ator Casey Affleck.

Apesar de se passarem em países ricos, eles também colocam celebridades em contato com excluídos da sociedade.

O objetivo da série é contar, tendo como atrativos os famosos, histórias de jovens líderes que trabalham para mudar a comunidade em que vivem.

O apresentador Sol Guy, produtor musical, diz à Folha que foi o ator Joaquin Phoenix ("Johnny & June") o primeiro famoso a aceitar o papel, e que foi dele o mérito de convencer os outros a participarem. "Era uma produção pequena, do Canadá, a gente não deveria ter nomes tão grandes envolvidos. Foi o Joaquin quem conseguiu fazer tudo dar certo."

É o ator quem abre a temporada por aqui: no primeiro episódio, ele vai à Amazônia, na margem direita do rio Gregório, no Acre, conhecer dois líderes da tribo Yawanawa, sobre a qual Josh Thome, produtor-executivo da série, fez um documentário em 2001.

Na próxima semana, o programa vai à favela Cidade de Deus, no Rio, com o rapper Mos Def apresentando ao mundo o "jovem líder" MV Bill. Para Thome, o Brasil é o único país duplamente representado porque ele veio ao país sete vezes nos últimos sete anos.

"Durante o desenvolvimento [da série], viajamos pelo mundo, fomos à Índia, à Venezuela, à África, ao Brasil, aprender mais sobre os jovens líderes fazendo esses trabalhos. A escolha coincidiu com quem estava disponível", completa Sol Guy.

"Fomos a muitas comunidades às quais as pessoas não vão normalmente", afirma, explicando por que tiveram que tomar "certas medidas de segurança". Uma delas, conhecida dos brasileiros, entrar sempre com alguém da comunidade.

E, segundo eles, nenhum famoso quis desistir no meio do caminho. "Não dávamos muita informação sobre o lugar para onde íamos, para que eles fossem abertos, perguntassem o que qualquer pessoa normal perguntaria", diz Thome.

E cometessem gafes "normais" também. A atriz Cameron Diaz, por exemplo, achou que estava adequada com uma bolsa de lona a tiracolo, nada de Prada ou Louis Vuitton. Não sabia que o slogan maoísta ("Sirva o povo") que carregava, em chinês, ofenderia os peruanos, que, nos anos 80 e 90, enfrentaram conflitos com rebeldes maoístas no país que deixaram quase 70 mil mortos. A atriz pediu desculpas ao Peru.

 

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