Peça "A Gaivota" dá sono em público do Festival de Curitiba
MIGUEL ARCANJO PRADO
enviado especial da Folha Online a Curitiba
A peça "A Gaivota (Alguns Rascunhos)" estreou na noite dessa quarta-feira (26), no Teatro Paiol, no Festival de Curitiba.
Com casa lotada, a montagem do Piollin Grupo de Teatro, de João Pessoa (PB), provocou sono em grande parte da platéia. Muitos dormiram durante a encenação, inclusive uma garota que estava no meio da primeira fila do teatro de arena.
A estréia também teve um momento constrangedor, quando o celular de um senhor na platéia tocou, durante uma das muitas cenas de profundo silêncio da montagem. Não bastasse o horror da gafe, o celular do mesmo senhor voltou a tocar momentos depois, deixando público e atores ainda mais constrangidos.
O espetáculo é baseado no texto do escritor russo Anton Tchekhov (1860-1904) e apresenta a história de um escritor frustrado que não consegue se desvencilhar da sombra da mãe, uma atriz decadente, apavorada com a idéia de envelhecer.
Se o argumento é ótimo, o mesmo não se diz do ritmo enfadonho da encenação. Quase nada acontece durante os 60 minutos de peça, a não ser um dos atores que enrola exaustivamente um elástico, que depois enlaça os colegas no palco, ou quando a personagem de Ana Luisa Camino grita para o público quais são os seus medos.
Dirigida por Haroldo Rego e com Everaldo Pontes, Nanego Lira, Ana Luisa Camino, Thardelly Lima e Buda Lira no elenco, "A Gaivota" arrancou aplauso tímido em sua estréia. Nem todos se levantaram para bater palmas, mas, democraticamente, houve um homem que gritou: "Bravo!".
O repórter viajou a convite do Festival de Curitiba.
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