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Ilustrada
27/03/2008 - 08h50

Minas saúda obra de Amilcar de Castro

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FABIO CYPRIANO
Enviado especial da Folha de S.Paulo a Nova Lima (MG)

Durante os próximos dois meses, a obra de Amilcar de Castro (1920-2002) começa a ocupar Minas Gerais numa escalada sem precedentes, em quatro cidades. Primeiro com a exposição que é inaugurada hoje e reúne 120 trabalhos dos últimos 20 anos de produção do artista, que acontece na Casa Fiat de Cultura, em Nova Lima, na Grande Belo Horizonte.

Depois, já no próximo fim de semana, 31 esculturas de grande porte, pesando no total 213 toneladas, estarão dispostas nas praças JK e da Liberdade, em BH. No dia 11, Ouro Preto recebe outras 70 obras e, finalmente, a partir de 10/5, na cidade de Dom Silvério, algumas obras de grande formato serão expostas no adro da igreja Nossa Senhora da Saúde.

A partir de então, outra mostra inaugura o espaço onde será criado um museu dedicado ao artista, também em Dom Silvério --terra natal de seu maior colecionador privado, o economista Márcio Teixeira.

Todas essas exposições estão ligadas a Teixeira, que cedeu boa parte das obras a todas elas --cerca de 70%, segundo ele. "Graças à sugestão de Sérgio Rodrigo Reis, fui conhecer a coleção de Teixeira e fiquei maravilhado", diz o diretor da Casa Fiat, José Eduardo de Lima Pereira.

Lá, a mostra se divide em dois andares. "Nosso objetivo não é realizar uma ampla retrospectiva do artista, pois procuramos apresentar a produção mais recente e em grande parte desconhecida do Amilcar", conta Teixeira.

Reconhecido pela concepção de projetos gráficos para jornais no Brasil, Castro tem, contudo, na produção tridimensional sua obra mais valorizada. Em parte, isso se deve aos desdobramentos do Manifesto Neoconcreto, em 1959, do qual foi um dos seis signatários. Desde então, sua produção teve crescente valorização, e o artista morreu num momento de unanimidade.

Produtividade crescente

"Quando morreu, o Amilcar estava altamente produtivo, e sua obra vinha num crescente; por isso, é possível observar seu trabalho de maneira completa, mesmo sem apresentar sua produção dos anos 60 e 70", conta Reis, que divide a curadoria da exposição com Teixeira e Rodrigo Castro, filho do artista.

Castro não costumava dar nome a seus trabalhos, o que fez que fossem conhecidos por apelidos. Na mostra, além da diversidade na pintura, um dos destaques é o conjunto de 16 "esculturas arquitetônicas", obras que, seccionadas, podem ser montadas de várias maneiras _mas que, na exposição, não poderão ser tocadas. "Esse grupo nunca tinha sido exibido junto. Eu mesmo nunca o tinha visto assim", conta o colecionador.

Também é impressionante o grupo de 36 peças circulares, de 1999, com variações de corte e dobra, mas privilegiando pequenos formatos (50 cm de diâmetro). Algumas delas, entretanto, alcançam dimensões agigantadas (quase cinco metros de diâmetro), e são as que ocupam as duas praças de BH.

Amilcar de Castro
Quando: abertura hoje, para convidados; ter. a sex., das 10h às 21h; sáb. e dom., das 14h às 21h; até 25/5
Onde: Casa Fiat de Cultura (r. Jornalista Djalma Andrade, 1.250, Nova Lima, tel. 0/xx/31/3289-8910) e praças praças JK e da Liberdade (Belo Horizonte)
Quanto: entrada franca

 

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