Ilustrada
27/03/2008 - 15h26

Protesto em Curitiba reúne 150 atores e cobra lei de incentivo ao teatro

MIGUEL ARCANJO PRADO
enviado especial da Folha Online a Curitiba

Cerca de 150 atores representantes de grupos teatrais de todas as regiões do Brasil fizeram um protesto no Memorial de Curitiba, no começo da tarde desta quinta-feira (27). O local é a sede do Festival de Curitiba. O ato pediu a criação de uma lei que estabeleça o Prêmio Teatro Brasileiro, para sustentar a produção teatral nacional.

O ator e fundador do grupo Os Satyros, Ivam Cabral, fez a leitura da Carta de Porto Alegre, redigida pelo movimento Redemoinho, que congrega grupos de 11 Estados, entre eles o Galpão, de Belo Horizonte, e o Teatro da Vertigem, de São Paulo.

Daniel Sorrentino/Clix
Protesto reúne atores no Memorial de Curitiba e pede lei de incentivo; veja galeria de imagens
Protesto reúne atores no Memorial de Curitiba e pede lei de incentivo; veja galeria de imagens

"Fui convidado e achei maravilhoso, pois sou do teatro de grupo. Acho que a Lei Rouanet está ultrapassada e não ajuda o teatro", disse Ivam Cabral à Folha Online, poucos minutos antes de discursar.

O ato foi aberto às 12h15, por Sueli Araújo, da Cia. Senhas, e durou cerca de 30 minutos. Ela convidou Ivam para fazer a leitura da carta. No texto, havia críticas à Lei Roaunet, dizendo que ela é privatizante" e "excludente". Ao fim da leitura, o grupo conclamou um aplauso ao teatro. Todos bateram palmas.

O coordenador do Festival de Curitiba, Leandro Knopfholz, apoiou o ato público. "Acho que é hora da cultura vir para o centro da discussão política", disse.

Abaixo-assinado

O ator Luis Melo foi um dos primeiros a assinar o abaixo-assinado, pedindo a lei teatral, após receber panfleto dado pelo ator Marcelo Rodrigues, do grupo Antropofocus.

"Não há patrocínio para grupos de pesquisa, precisamos mudar isso. Já é difícil fazer teatro no Rio e em São Paulo, imagina em outros lugares", disse.

Melo, que conversou com Sérgio Marone durante a concentração para o ato, disse discordar de qualquer tipo de preconceito referente a atores de teatro ou de televisão.

"Considero-me um homem de teatro, mas também faço televisão. Um bom trabalho pode ser feito em qualquer lugar. Acho que as pessoas precisam dialogar mais", afirmou.

O diretor do grupo Os Satyros, Rodolfo García Vázquez também concordou com Melo: "Acho assim: cada macaco no seu galho. Essa discussão já está velha, já deu o que tinha que dar", declarou.

Daniel Sorrentino/Clix
Sérgio Marone no Memorial, sede do Festival de Curitiba; veja galeria
Sérgio Marone no Memorial, sede do Festival de Curitiba; veja galeria

Marone participa de concentração

O ator Sérgio Marone esteve presente na concentração para o ato, mas não pode ficar até o fim, porque tinha vôo marcado para deixar a cidade. Mesmo assim, fez questão de deixar seu apoio e conversou com os atores Luis Melo e Lara Siqueira, da Dupla Companhia.

"Em qualquer lugar civilizado do mundo, o governo banca a cultura. O teatro, sobretudo o de grupo, não consegue se sustentar com a bilheteria. O teatro sempre fica com a menor parte do dinheiro. Por isso, fiz questão de vir aqui, para dar meu apoio", disse Marone.

Ele ainda avaliou como positiva sua participação no Festival de Curitiba.

"Aqui é um lugar de efervescência e minha peça ['Farsa'], foi muito bem recebida pelo público. Parecia que estava fazendo teatro na Europa, de tanto que o povo aplaudia", revelou.

Antes de entrar na van que o conduziria ao aeroporto, Marone tirou fotos com atores do "Movimento dos Sem Ingresso".

Ontem, Marone contou à Folha Online que houve pessoas que trataram a montagem da qual participa com preconceito, por ela ter no elenco atores de televisão. "Acho todo preconceito ridículo e burro", declarou.

Veja a galeria de fotos do protesto dos atores em Curitiba.

O repórter viajou a convite do Festival de Curitiba.

 

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