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Ilustrada
28/03/2008 - 12h27

Artista recria drama da criação em paisagem de sua infância

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DAYANNE MIKEVIS
Enviada especial da Folha Online a Recife

Francisco Brennand, 80, segue a rotina de visitar sua oficina, verificar se tudo está em ordem, se o ovo da criação que mantém em meio a esculturas de guardiões está iluminado e inicia aqui e ali, conversas com os últimos visitantes do dia ao parque de obras de arte que construiu a partir da antiga olaria de seu pai.

Com duas exposições em São Paulo programadas para este ano, o reconhecido artista pernambucano aborda por iniciativa própria a polêmica em torno de sua obra.

13.mar.2008/Dayanne Mikevis/ Folha Online
Artista guarda seu ovo da criação em uma espécie de tempo vigiado por guardiões
Artista guarda seu ovo da criação em uma espécie de tempo vigiado por guardiões

Brennand diz que suas obras não são fálicas, que grande parte de sua escultura está relacionada ao tema da criação, mas que as pessoas a enxergam a partir de uma interpretação que salientou uma visão do conjunto do que produziu.

"Veja aquilo ali [ele aponta para montes de cerâmica que servem para delimitar área gramada], para mim é um pão-de-açúcar, mas tem gente que vê outra coisa. Se for assim, fálica também é minha bengala", disse o artista.

Brennand também afirmou sentir que sua obra tem melhor acolhida em São Paulo do que em Recife, mas que não gosta de viajar e procura se deslocar cada vez menos.

Há décadas o artista trabalha na recuperação da antiga olaria que foi de seu pai, hoje centro cultural. A Oficina Cerâmica Francisco Brennand está situada no bairro da Várzea em Recife, onde também se encontra o instituto cultural comandado por seu primo Ricardo Brennand.

13.mar.2008/Dayanne Mikevis/ Folha Online
Escultura de peixe feita pelo artista recifense em um dos salões que reúne sua obra; Brennand nega que seu trabalho seja "fálico"
Escultura de peixe feita pelo artista recifense em um dos salões que reúne sua obra; Brennand nega que seu trabalho seja "fálico"

"Eu não alterei nada do que estava aqui, mas, obviamente, como artista fiz algumas intervenções, em paredes que estavam sem acabamento, por exemplo, coloquei cerâmica", conta o artista sobre o espaço. Ele disse acreditar que a área pode se tornar uma espécie de Parc Güell --em alusão à obra do arquiteto espanhol Antonio Gaudí em Barcelona-- de Recife.

A antiga olaria produzia tijolos e telhas e foi construída nas terras do engenho Cosme e Damião. Brennand afirmou que aquele foi um espaço de sua infância e juventude e que a um certo momento resolveu que era a hora de, de alguma maneira, recuperar aquilo.

A oficina começou em 1971, apesar de a carreira de Brennand ter se iniciado bem mais cedo. Hoje, o complexo conta com um "galpão ao céu aberto", chamado de Templo Central, onde está o ovo da criação, que recebe iluminação à noite, e é vigiado por diversos guardiões --esculturas de homens-pássaro-- do alto de um muro e do chão.

Ainda no complexo, em um paisagismo de Burle Marx, está o jardim, permeado de esculturas, com alguns cisnes negros --vivos-- passeando e, mais à noite, diversos sapos. Veja vídeo:

13.mar.2008/Dayanne Mikevis/ Folha Online
Esculturas recebem o visitante já na entrada da Oficina Brennand, construída a partir de uma olaria abandonada do pai do artista
Esculturas recebem o visitante já na entrada da Oficina Brennand, construída a partir de uma olaria abandonada do pai do artista

No prédio principal da antiga olaria, logo na entrada há o símbolo do ceramista --um arco e uma flecha estilizados-- e saguões abertos com diversas de suas esculturas. Alguns dos fornos ainda foram preservados e em um deles há uma espécie de "santuário" com uma escultura iluminada ao fundo, cuja luz ressalta o processo de formação natural de uma camada "de porcelana" no interior do forno. Também no interior do prédio está o Anfiteatro.

Ainda no mesmo local, há azulejos, que Brennand também vende, expostos, e a oficina onde ele e seus artesãos elaboram os itens a ser comercializados.

Atravessando o pátio, fora da construção, há o café a loja de Brennand. Também fazem parte do projeto a Accademia, onde estão expostos mais de 300 desenhos e pinturas do artista. Há ainda o Auditório Heitor-Villa Lobos, o Templo do Sacrifício e o Estádio, que se destina à realização de eventos.

 

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