Ilustrada
30/03/2008 - 13h26

"E Nós Que Nem Sabemos" se destaca em mostra do Festival de Curitiba

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MIGUEL ARCANJO PRADO
enviado especial da Folha Online a Curitiba

Quando o público entra no intimista Espaço Dois, no centro de Curitiba, os atores já estão lá, embrulhados em plástico e imóveis no palco giratório dividido por quatro paredes transparentes. Em "E Nós Que Nem Sabemos..." palavra, arte e movimentos de delicada beleza coreográfica se unem para a expressão de angústias e anseios do humano.

A peça é do Moinho, grupo de experimentação teatral surgido há dois anos em Ouro Preto (MG), e faz parte da programação da mostra Fringe do Festival de Curitiba.

Isabelle Neri/Divulgação
Sandra Parra encena "E Nós Que Nem Sabemos" no Festival de Curitiba
Sandra Parra encena "E Nós Que Nem Sabemos" no Festival de Curitiba

Dirigidos por Maurílio Romão, os atores Sandra Parra, Eduardo Batista e Mateus Schimith surgem desprovidos de cacoetes e dizem o texto de criação coletiva como se ele fluísse de forma espontânea. O cenário, de autoria de Romão, é formado por um palco giratório, onde quatro paredes transparentes se cruzam, formando quatro pequenas "ilhas", nas quais em três delas se instalam os atores, isolados cada um em seu espaço.

"O formato do cenário precedeu a dramaturgia. No início do processo, já sabia que queria montar um espaço assim", revela o diretor.

Enquanto dizem o texto, os atores pintam as paredes transparentes nas cores azul, verde e vermelho. Na medida em que as pinturas se formam, algumas colocações, resultado de um ano e oito meses de pesquisa, são ditas à platéia. Em alguns momentos, o ator escolhe uma pessoa específica para falar o texto olhando nos olhos de quem o recebe.

"Não é a gente que cresce, são as coisas que diminuem" ou "Tem coisa que a gente lembra, mas tem coisa que a gente não esquece" são algumas das frases simples que se tornam profundas na interpretação dos atores.

Carolina Panini /Divulgação
Mateus Schimith, Eduardo Batista e Sandra Parra atuam em palco giratório
Mateus Schimith e Eduardo Batista atuam em palco giratório

"Essa peça mistura o teatro, a performance e as artes plásticas. A idéia principal é o enfrentamento do próprio ator diante dele mesmo. O plástico que cobre suas peles é como se fosse a couraça da qual tentamos nos proteger do mundo. Mas é preciso rasgá-lo", conta o diretor Maurílio Romão.

Maurílio se formou em direção teatral no ano passado, no curso de artes cênicas da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). O figurino plastificado é de Antonio Apolinário. E a iluminação precisa é assinada por Berilo Nosella e Fernando Bueno Catelan.

Entre tantos desabafos e colocações dos atores em cena, talvez a frase mais apropriada para resumir a competente montagem de Ouro Preto seja a que é dita por Mateus Schimith logo que o público entra na sala: "É no sentido contrário que a gente se encontra".

"E Nós Que Nem Sabemos..." fez sua última apresentação no Festival de Curitiba na noite desse sábado (29). A equipe partiu às 5h deste domingo (30) de volta a Ouro Preto. Eles enfrentam durante todo o dia as 16 horas de viagem rodoviária. Antes de embarcar, disseram que iam embora "satisfeitos". Esta foi a primeira vez que o grupo Moinho participou do Festival de Curitiba.

O repórter viajou a convite do Festival de Curitiba.

 

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