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08/04/2008 - 08h42

SP acolhe novelas e peças de Pirandello

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VALMIR SANTOS
da Folha de S.Paulo

Os palcos de São Paulo experimentam noites pirandellianas. São montagens que jogam luz sobre as novelas de Luigi Pirandello (1867-1936) e traduzem em cena o quanto essas narrativas curtas retroalimentavam a dramaturgia do criador do clássico "Seis Personagens em Busca de um Autor".

Lenise Pinheiro/Divulgação
O ator Cacá Carvalho,em cena da peça 'A Poltrona Escura', peça de 2003 que ele apresenta dias 15 e 16 no teatro Sesc Anchieta
Ator Cacá Carvalho,em cena da peça 'A Poltrona Escura', que ele apresenta em SP

Um dos artistas que ampliou o horizonte literário de Pirandello, o ator paraense Cacá Carvalho, 54, reapresenta "O Homem com a Flor na Boca" (1993), de hoje a quinta, e "A Poltrona Escura" (2003), dias 15/4 e 16/4, sempre no teatro Sesc Anchieta.

São solos integrados ao projeto "3xPirandello/ 3xCacá Carvalho", a ser concluído com a leitura dramática de "A Destruição do Homem", em 17/4. Tratam de personagens que espelham a condição humana de forma cruel ou lírica: a iminência da morte, a solidão progressiva, o prazer inconfessável, o instinto assassino.

"Em suas novelas, Pirandello parece dizer: "Eu te amo, olha o que você está fazendo com a sua vida". Ama docemente e, ao mesmo tempo, quase agride, sacudindo o leitor ou o espectador sem passar a mão na cabeça", diz Carvalho, sempre dirigido pelo italiano Roberto Bacci. É a primeira vez que o ator pisa o palco do Sesc Anchieta.

A face dramatúrgica de Pirandello surge em mais um fruto da parceria das cias. Linhas Aéreas e Atelier de Manufactura Suspeita. São duas peças inéditas: "Como Você Me Quer", que estreou na semana passada, e "Cada um a Seu Modo", prevista para 17/4, ambas no teatro Sérgio Cardoso.

Explorar limites

O diretor Mauricio Paroni de Castro vê em Pirandello um aliado para explorar limites entre ficção, realidade e jogo de papéis. Todo o elenco reveza a interpretação da mulher de vida dupla em "Como Você Me Quer", que expõe os dilemas da identidade, as aparências e as verdades relativas que caracterizam a obra do autor.

"Nossa idéia para compor essa personagem foi de respeitar a característica de coletivo. Em vez de ter uma atriz protagonista que a interprete do início ao fim, dividimos a interpretação entre todo o elenco -inclusive os homens", afirma Paroni de Castro.

"Cada um a Seu Modo" narra uma história supostamente baseada em fatos verídicos: o suicídio de um artista plástico que flagrou a noiva na cama com futuro cunhado.

É o terceiro trabalho conjunto da Linhas Aéreas com a Atelier de Manufactura. A intenção é aprofundar a pesquisa sobre dramaturgia que os dois grupos realizam desde "Aqui Ninguém É Inocente" (2006). O novo projeto foi contemplado com recursos de dois prêmios de apoio à cultura, o Myriam Muniz (federal) e o PAC (estadual).

 

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