Artistas desenham Asterix em tributo ao seu criador
MARCO AURÉLIO CANÔNICO
da Folha de S.Paulo
Semelhante à cena do filme "Uma Mente Brilhante" em que os professores de Princeton reconhecem a genialidade do matemático John Nash dando-lhe suas canetas, 34 dos mais renomados artistas de quadrinhos do mundo cederam suas penas para homenagear Albert Uderzo, um dos pais de Asterix, em seu 80º aniversário.
O resultado, "Asterix e Seus Amigos", chega agora ao Brasil (com Uderzo próximo de fazer 81, em 25 de abril), depois de ser lançado na Europa no ano passado. Cada artista convidado --gente como David Lloyd, Milo Manara ("Clic"), Stuart Immonen ("Superman") e Vicar (da Disney)-- criou uma história ou charge, de uma a quatro páginas.
"Foi um grande privilégio contribuir com uma história em homenagem a um dos mais populares e mais habilidosos cartunistas do mundo", disse à Folha o inglês David Lloyd (de "V de Vingança"), um dos participantes do álbum.
"A influência de Asterix nos quadrinhos, como meio e como negócio, é algo que já dura anos e que sempre me impressionou profundamente."
De fato, os personagens criados por Uderzo (desenho) e René Goscinny (texto) em 1959 tornaram-se ícones da cultura francesa e sucesso mundial -já foram vendidas 330 milhões de cópias dos 33 álbuns (nove dos quais criados apenas por Uderzo, após a morte de Goscinny, em 1977).
Os irredutíveis gauleses também extrapolaram o meio das HQs, gerando três filmes com atores, oito desenhos animados, jogos, brinquedos e um parque temático perto de Paris.
Embaixador infantil
À época do lançamento de "Asterix e Seus Amigos" na Europa, Uderzo destacou sua importância social -a renda obtida é destinada à ONG francesa Defensoria das Crianças.
"Transformar Asterix em embaixador dos direitos das crianças é uma honra para mim", disse o autor ao jornal francês "Le Monde".
"As histórias de Asterix são divertidas, educativas, aventuras com uma moral, e vêm entretendo leitores de idades variadas há décadas", afirmou Lloyd. "E também fazem o papel de embaixadoras das HQs, mostrando a extrema criatividade que o meio pode atingir."
Criativos também foram alguns dos autores em suas homenagens, como o francês Hervé Baruléa, o Baru, que atualizou os personagens fazendo referência aos tumultos nos subúrbios parisienses, com seus carros queimados e confrontos com a polícia (no papel que cabe aos romanos no original).
O italiano Manara, por sua vez, fez uma divertida história em que coloca uma de suas célebres mulheres gostosas para vingar as incontáveis surras que a aldeia gaulesa de Asterix aplica nos romanos.
Asterix em Patópolis
Como costuma acontecer em coletâneas do tipo, o resultado final é misto --há histórias fracas, outras muito boas e idéias repetidas, como a de transformar Uderzo em personagem (Lloyd é um dos que utilizam essa tática, com referências ao seriado "O Prisioneiro").
Uma das homenagens mais importantes veio do chileno Victor Arriagada Rios, o Vicar, que misturou as criações do francês às do homem que o inspirou, Walt Disney. Em "Asterix em Patópolis", o baixinho bigodudo e seu forte amigo Obelix encontram-se com Donald e sua família, e os patos devolvem a deferência que Uderzo sempre prestou às criações de Disney.
Um bom complemento à obra está no endereço www.asterix.com/80ans, que tem uma animação francesa narrando a história de Uderzo, além de amostras do trabalho dos ilustradores no álbum.
ASTERIX E SEUS AMIGOS
Editora: Record
Quanto: R$ 25, em média (64 págs.)
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