Mostra é oportunidade para conhecer Verger "japonês"; veja fotos
DAYANNE MIKEVIS
da Folha Online
Parte da viagem que fez ao redor do mundo como fotógrafo profissional, o Japão ganha destaque pelas lentes de Pierre Verger (1902-1996) com a abertura no próximo sábado (19) da exposição "O Japão de Pierre Verger Anos 30" em São Paulo. O evento é parte das comemorações do centenário da imigração japonesa.
Verger realizou as imagens expostas como contratado do jornal francês "France Soir". Ele havia começado a fotografar profissionalmente apenas cerca de dois anos antes, entre 1931 e 1932, segundo o curador da mostra, o francês Alex Baradel, da Fundação Pierre Verger.
| Divulgação/Fundação Pierre Verger |
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| "Prostituição", foto de 1934 tirada por Pierre Verger; confira aqui galeria de imagens |
Para Baradel, o interessante desta fase inicial de Verger é a oportunidade que o público tem de sentir um pouco a variedade de lugares e temas do fotógrafo francês.
Há características comuns com a fase brasileira, como o registro das camadas mais populares. No entanto, há retratos de pessoas de classes abastadas, algo que o fotógrafo praticamente deixou de fazer depois, segundo Baradel.
O curador também aponta como interessante o fato de o trabalho de Verger sempre se manter à margem da política, mesmo com amigos majoritariamente de esquerda. Baradel também afirma que o escritor que viajou junto com o fotógrafo fez um livro extremamente político. Quando questionado sobre a razão deste distanciamento de Verger, Baradel responde: "Ele vinha de um meio abastado e parecia simplesmente não se interessar por política. Alías, Verger vivia muito em um mundo apenas seu."
| Divulgação/Fundação Pierre Verger |
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| "Mulheres" (1934) é parte do conjunto que releva um pouco da viagem de Pierre Verger |
Curiosamente, a maioria destas fotos se manteve, até hoje, inédita, segundo os organizadores. Para a mostra, foram selecionadas cem imagens cerca de mil realizadas em Tóquio, Kioto, Nara, Nikko e Oshima.
"É uma oportunidade rara, eu lembro de uma outra exposição que não era sobre a fase brasileira, era sobre Bolívia em Porto Alegre, mas são ocasiões difíceis", afirmou Baradel, que concordou que há uma tendência de limitar o trabalho de Verger aos cultos afro-brasileiros. No entanto, para Baradel, esta é uma situação que vem mudando.
"Há dez anos, ele era muito restrito à cultura negra, mas hoje as pessoas começam a ver que a extensão do trabalho de Verger é muito maior", disse Baradel.
Mais franceses
Além do fotógrafo francês, outra mostra traz registros de profissionais da França. A exposição "O Japão de Descamps e Desprez Anos 90" também estréia no mesmo espaço.
Com as duas mostras, a idéia dos organizadores é fazer uma paralelo entre as culturas japonesa, brasileira e francesa. O projeto é uma homenagem da França aos cem anos de imigração japonesa que ocupará galerias em dois andares da Caixa Cultural.
Bertrand Desprez tenta traduzir em imagens o Japão tecnológico e poético. As imagens dele na mostra foram tiradas na década de 90 e assim, como Bernard Descamps, os trabalhos contrastam com os de Verger, feitos cerca de 60 anos antes, para definir uma trajetória do país.
Descamps afirma que realiza "imagens que não descrevem objetos, ou acontecimentos, imagens que não contam nada, mas que buscam desvendar os fragmentos do tempo".
O Japão, para ele, foi uma primeira experiência, aquela de mostrar o homem e seu meio no que há de mais moderno, de mais urbano.
"O Japão de Pierre Verger - Anos 30" e "O Japão de Descamps e Desprez - Anos 90"
Quando: de 19 de abril a 25 de maio, de terça a domingo, das 9h às 21h
Onde: Caixa Cultural (Praça da Sé, 111, tel. 0/xx/11/3321-4400)
Quanto: grátis
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