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15/04/2008 - 08h34

"Homem de Ferro" mostra herói quarentão no Afeganistão

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MARCO AURÉLIO CANÔNICO
enviado da Folha à Cidade do México

Ela é a primeira das superproduções da temporada de verão norte-americana a chegar às telas (em 30 de abril, no Brasil, e dois dias depois nos EUA), e a Folha fez parte da primeira platéia a assisti-la, na semana passada, na Cidade do México.

"Homem de Ferro", estréia cinematográfica de um dos mais antigos personagens de Stan Lee (criado em 1963), tem gerado grande expectativa nos fãs e em seus criadores -é o primeiro filme inteiramente financiado pela Marvel, uma das maiores editoras de HQ do mundo, como estúdio.

E, para surpresa de muitos, capitaneando uma produção de US$ 186 milhões (R$ 314 milhões) está um diretor (Jon Favreau) mais conhecido como ator (e, mesmo assim, pouco célebre) e, envergando o traje metálico vermelho e dourado, um dos maiores "bad boys" de Hollywood, Robert Downey Jr.

"Acho que o fato de sermos o primeiro [blockbuster] do verão nos favorece, e a expectativa que criamos parece ser positiva: o trailer foi visto milhões de vezes on-line, temos conseguido um bom boca-a-boca dos fãs e muito apoio para o lançamento" disse à Folha o diretor.

Para não frustrar as expectativas, Favreau apostou em duas regras básicas: fidelidade aos quadrinhos ("Nós somos a Marvel, essa é uma das vantagens de ter controle total da produção") e efeitos especiais surpreendentes.

"A tecnologia de hoje oferece, pela primeira vez, maneiras de apresentar na tela aquilo que ele faz nas HQs", afirmou Favreau. E "aquilo que ele faz" não é pouco: além de viver rodeado de engenhocas futuristas, recriadas com perfeição, o bilionário Tony Stark inventa um avançadíssimo traje que o permite voar em velocidade supersônica, disparar rajadas de energia e ainda falar ao telefone enquanto combate o crime.

Atualização política

O filme atualiza a origem do herói: Tony Stark é um bilionário fabricante de armas e inventor genial que, durante um teste com sua mais nova arma de destruição em massa, no Afeganistão (em vez do Vietnã da HQ), acaba ferido e seqüestrado por guerrilheiros. Forçado a construir uma arma para os inimigos, ele se dá conta dos malefícios de suas invenções e decide criar um traje especial que lhe permita não apenas viver (pois o ferimento, causado por uma de suas próprias armas, pode matá-lo) mas também combater o mal.

"Ele é o único herói que não é um garoto na lanchonete da escola preocupado em arranjar uma namorada. É um homem que viveu 40 anos de certo modo, passa por uma espécie de despertar moral e se transforma. Ele não é picado por uma aranha ou recebe algum poder divino. Ele mesmo constrói o traje, decide mudar sua vida e sua visão de mundo."

As nítidas referências à política atual dos EUA foram o que mais chamou a atenção dos jornalistas que assistiram à sessão, para preocupação do diretor e do protagonista -afinal, "política" é o tipo de tema que afugenta fãs de filmes-pipoca.

"Muita gente tem comentado: "esse é um filme bastante político, não?", e não sei se fizemos nosso trabalho direito, se for essa a visão que ele passa", disse Downey Jr.

O repórter Marco Aurélio Canônico viajou a convite da distribuidora Paramount.

 

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