Cabrini sofria ameaças e droga foi plantada, diz advogado
DAYANNE MIKEVIS
da Folha Online
Alberto Zacharias Toron, advogado do jornalista Roberto Cabrini, 47, disse que a droga encontrada com o repórter investigativo foi plantada e que ele vinha sofrendo ameaças da mulher que o acompanhava no momento de sua detenção.
Toron também afirmou que pediu pessoalmente hoje a libertação de Cabrini ou o fim do flagrante. Ouça trecho da entrevista:
| Flávio Florido/Folha Imagem |
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| Indiciado por tráfico de entorpecentes, Roberto Cabrini foi transferido para 13º DP |
Cabrini foi detido na noite de ontem na zona sul de São Paulo, e transferido hoje do 100º Distrito Policial, no bairro Jardim Herculano, para o 13º DP, no bairro Casa Verde (zona norte). O jornalista fazia uma reportagem sobre o tráfico de entorpecentes, informou a Record em comunicado divulgado hoje.
Em carta escrita à imprensa, o jornalista escreveu que estava acompanhado de uma fonte em busca de fitas que comprovassem a entrevista feita em maio de 2006, por telefone, com Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder da facção criminosa PCC.
Cabrini vinha sofrendo ameaças desta mulher e a polícia foi diretamente para onde estava a droga, segundo o advogado. Ela foi ouvida como testemunha e liberada pela polícia, disse Toron.
"Armação"
Na carta, Cabrini diz: "Estou sendo vítima de uma armação, em virtude de estar investigando assuntos que incomodam a muitas pessoas". O jornalista ainda afirmou que vai proteger suas fontes. "Apesar de tudo, comunico que sempre protegi e protegerei minhas fontes, afinal, considero o respeito entre fonte e jornalista um dos princípios mais sagrados da minha profissão", escreveu.
Ainda de acordo com Cabrini, ele investigava um caso antigo, de uma entrevista feita com o líder do PCC. "Jamais parei de investigar e, apesar das inúmeras pressões, sempre tive certeza da autenticidade da entrevista que efetuei em maio de 2006 com o líder da facção, Marcos Camacho", afirma na carta. O jornalista conta que uma fonte lhe procurou para entregar fitas relacionadas ao caso. "Neste material, o líder confirma a autenticidade da entrevista e fala sobre os fatos que envolveram os ataques de 2006."
O jornalista disse que havia assistido a 40 segundos dessa gravação e que fontes do PCC disseram que só dariam esclarecimentos sobre o que aconteceu durante os ataques após garantirem que a revelação não prejudicasse vários detentos. Segundo Cabrini, três DVDs seriam entregues a ele no encontro de ontem. "Ao invés de receber fitas, houve, sim, uma abordagem policial." Ele não explicou de quem era a cocaína que a polícia afirma ter encontrado em seu carro.
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