Ilustrada
16/04/2008 - 18h01

Cabrini sofria ameaças e droga foi plantada, diz advogado

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DAYANNE MIKEVIS
da Folha Online

Alberto Zacharias Toron, advogado do jornalista Roberto Cabrini, 47, disse que a droga encontrada com o repórter investigativo foi plantada e que ele vinha sofrendo ameaças da mulher que o acompanhava no momento de sua detenção.

Toron também afirmou que pediu pessoalmente hoje a libertação de Cabrini ou o fim do flagrante. Ouça trecho da entrevista:

Entrevista

Flávio Florido/Folha Imagem
16-05-2003/São Paulo/Flávio Florido-Folha imagem/O apresentador do Jornal da Noite, Roberto Cabrini, posa para fotos no estúdio da TV Bandeirantes. TVFolha
Indiciado por tráfico de entorpecentes, Roberto Cabrini foi transferido para 13º DP

Cabrini foi detido na noite de ontem na zona sul de São Paulo, e transferido hoje do 100º Distrito Policial, no bairro Jardim Herculano, para o 13º DP, no bairro Casa Verde (zona norte). O jornalista fazia uma reportagem sobre o tráfico de entorpecentes, informou a Record em comunicado divulgado hoje.

Em carta escrita à imprensa, o jornalista escreveu que estava acompanhado de uma fonte em busca de fitas que comprovassem a entrevista feita em maio de 2006, por telefone, com Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder da facção criminosa PCC.

Cabrini vinha sofrendo ameaças desta mulher e a polícia foi diretamente para onde estava a droga, segundo o advogado. Ela foi ouvida como testemunha e liberada pela polícia, disse Toron.

"Armação"

Na carta, Cabrini diz: "Estou sendo vítima de uma armação, em virtude de estar investigando assuntos que incomodam a muitas pessoas". O jornalista ainda afirmou que vai proteger suas fontes. "Apesar de tudo, comunico que sempre protegi e protegerei minhas fontes, afinal, considero o respeito entre fonte e jornalista um dos princípios mais sagrados da minha profissão", escreveu.

Ainda de acordo com Cabrini, ele investigava um caso antigo, de uma entrevista feita com o líder do PCC. "Jamais parei de investigar e, apesar das inúmeras pressões, sempre tive certeza da autenticidade da entrevista que efetuei em maio de 2006 com o líder da facção, Marcos Camacho", afirma na carta. O jornalista conta que uma fonte lhe procurou para entregar fitas relacionadas ao caso. "Neste material, o líder confirma a autenticidade da entrevista e fala sobre os fatos que envolveram os ataques de 2006."

O jornalista disse que havia assistido a 40 segundos dessa gravação e que fontes do PCC disseram que só dariam esclarecimentos sobre o que aconteceu durante os ataques após garantirem que a revelação não prejudicasse vários detentos. Segundo Cabrini, três DVDs seriam entregues a ele no encontro de ontem. "Ao invés de receber fitas, houve, sim, uma abordagem policial." Ele não explicou de quem era a cocaína que a polícia afirma ter encontrado em seu carro.

 

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