"Deznecessários" mostra humor despojado em SP e no Rio
MIGUEL ARCANJO PRADO
da Folha Online
Todas as quartas e quintas, um cantinho da casa Pueblo Bar, na Vila Olímpia, em São Paulo, se transforma no palco do show de humor "Deznecessários", feito pelo grupo homônimo. Em oito meses de temporada paulistana, o espetáculo já foi visto por mais de 10.000 pessoas, segundo a produção. Em 2 de maio, começa temporada no Rio, às sextas-feiras.
| Divulgação |
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| Elenco de "Deznecessários" interpreta esquetes de humor em bar de SP |
Eles estão em cartaz desde junho de 2007 e lotam a casa em cada apresentação, por conta do boca a boca e da internet, já que alguns dos esquetes viraram sucesso no YouTube.
Os seis artistas no palco, Paulinho Serra, Eduardo Sterblitch, Rodrigo Capella, Marcelo Marrom, Maíra Charken e Miá Mello, fazem um estilo de humor despojado e simplista, como o samba desengonçado do começo do espetáculo.
Se alguns esquetes caem no gosto do público, como quando Marcelo Marrom faz um negro que sonha em ser loiro, outros não conseguem provocar reação semelhante, como a performance de Rodrigo Capella para o personagem Rambo ou a cena do ginecologista tarado vivido por Eduardo Sterblitch, recheada de palavrões.
Marrom rouba a cena
É Marrom quem mais provoca riso. Músico e compositor --é dele a canção "Toca Um Samba Aí", gravada pelo grupo de pagode Inimigos da HP--, o fluminense de Niterói entrou para a trupe apenas para fazer a parte musical dos esquetes. Logo, quis um papel também.
"O Paulinho Serra [ator e diretor] me falou pra fazer alguma coisa sobre negro", conta o ator, que é negro. Ele se diz satisfeito com o sucesso: "O público abraçou meu personagem e hoje me considero ator", afirma.
A esquete, que virou hit no YouTube com mais de 150 mil acessos, já provocou reações nervosas de algumas pessoas. "Como no site está fora do contexto do espetáculo, tem gente que ficou achando que o texto é racista", conta o ator. Marrom afirma que o intuito da esquete é exatamente o contrário: satirizar o comportamento racista das pessoas.
Cantora
Outra que chama a atenção é a atriz Maíra Charken, nascida na Holanda e criada em Campinas (SP). Ela pode ser vista na TV na novela "Dance Dance Dance" (Band), no papel da recepcionista Sheila, e negocia com a Record uma participação na continuação de "Caminhos do Coração", novela de Tiago Santiago.
A melhor esquete de Charken é quando ela interpreta uma cantora frustrada que se ressente de ter suas fórmulas de sucesso roubadas por nomes como Rosana, Sandy e Shakira.
"Sempre tive muito humor na minha vida. Passei a fazer no palco o que já fazia no dia a dia", diz. Charken ainda mostra ser boa cantora ao interpretar as canções das "rivais".
Rap e "Pânico"
Miá Mello faz uma garota que não consegue contar uma história sobre seu último feriado, sempre interrompida pelos colegas ou pelo operador de luz. Após criar tanta expectativa no público, o desfecho para a história, ao fim da peça, não impressiona.
A atriz, que é também cantora do grupo de rap Squat, diz estar criando um novo personagem: "Vem uma criancinha por aí", afirma, imitando voz infantil.
Outro ator do grupo, Eduardo Sterblitch, foi convidado no começo deste ano para integrar a trupe de humoristas do "Pânico na TV" (Rede TV!), após comediantes do programa assistirem ao espetáculo, no qual ele faz uma imitação original de Silvio Santos. "Sempre fiz coisas ruins, que não davam certo. Eu realmente não tenho a mínima idéia porque está dando certo agora", diz.
Deznecessários
São Paulo
Quando: quartas e quintas, 22h
Onde: Pueblo Bar (r. Ministro Jesuíno Cardoso, 104, Vila Olímpia, São Paulo; tel. 3845-2140)
Quanto: R$30 e R$40
Rio (a partir de 2 de maio)
Quando: sextas-feiras, 21h30 e 23h
Onde: UCI Live New York City Center (av. das Américas, 5.000, Barra da Tijuca, Rio)
Quanto: R$20 e R$40
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