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26/04/2008 - 10h47

Festival de Manaus aposta em co-produções

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JOÃO BATISTA NATALI
Enviado especial da Folha de S.Paulo a Manaus

O 12º Festival Amazonas de Ópera terá hoje a última récita de "Ariana em Naxos", de Richard Strauss, e mais três produções até seu final, em 31 de maio. Terão sido, ao todo, um musical e quatro óperas, num total de 14 récitas, e ainda mais dez concertos.

No ano passado, foram menos: três óperas, com basicamente o mesmo orçamento (R$ 4 milhões). O diferencial está no uso das co-produções ou de espetáculos montados por outros teatros. O maestro Luiz Fernando Malheiro, diretor do festival, diz que nem sempre uma montagem de fora tem o preço drasticamente reduzido. É caro o frete aéreo de cenários e figurinos e há a burocracia alfandegária. Um exemplo é "Maria Golovin", de Gian Carlo Menotti (1911-2007), produção da Ópera de Marselha, que estréia em 21 de maio. Outra montagem comprada é a de "João e Maria" (Hänsen und Gretel), de Engelbert Humperdinck (1854-1921), a ser novamente regida por Jamil Maluf.

"Ariana em Naxos" é co-produção com o Municipal de SP, que a programou ainda para 2008. É uma engenhosa ópera em que Strauss (1864-1949) e seu melhor libretista, Hugo von Hofmannsthal, concebem um milionário que contrata duas pequenas companhias líricas para o deleite de seus convidados e que, em cima da hora, ordena que os dois espetáculos sejam fundidos em um só, para não atrasar a ceia. A interferência de uma comédia num episódio trágico da mitologia grega gera situações hilariantes.

Manaus, que dispõe de equipes para cenografia e figurinos, produziu "Ça Ira", que teve anteontem sua última récita. É um espetáculo visualmente luxuriante, mas fraco em termos melódicos, por culpa do ex-Pink Floyd Rogers Waters, o compositor. Há ainda um pieguismo ingênuo do libretista Etienne Roda-Gil ao retratar a Revolução Francesa. No caso de Maria Antonieta, ela se torna uma emotiva mãe de família.

Vejamos a "Maria Golovin", de Menotti. Ela estreou sem grande sucesso em 1958. Das 28 que ele escreveu, é uma das menos conhecidas. Narra a paixão de Donato, que perdeu a vista numa guerra, por Maria, cujo marido é ainda prisioneiro ou foi morto no mesmo conflito.
O evento será encerrado com "Turandot", última ópera de Giacomo Puccini (1858-1924), em 29 e 31 de maio. Ela não será encenada no Teatro Amazonas, mas em praça pública, com 20 mil pessoas por récita.

O festival também tem problemas. O principal, diz o maestro Malheiro, é o da baixa remuneração dos músicos (menos de R$ 4.000). Neste ano, oito deixaram a orquestra, atraídos por melhores salários em Belo Horizonte.

O jornalista viajou a convite do festival.

 

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