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Ilustrada
30/04/2008 - 10h00

Beatriz Segall mostra competência em monólogo bem-humorado

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MIGUEL ARCANJO PRADO
da Folha Online

Para quem conhece Beatriz Segall apenas de papéis dramáticos e densos, vê-la em cena em "Retratos Falantes" pode ser uma boa surpresa. Na montagem do Grupo Tapa dirigida por Eduardo Tolentino de Araújo em São Paulo, ela dá vida, com competência, a uma senhora ranzinza que não se cansa de mandar cartas reclamando de tudo e de todos. Ao viver a solitária Irene, a atriz mostra domínio do tempo cômico e faz o público se divertir com a personagem.

Flávio Moraes/Divulgação
Aatriz, que fica emcartaz com'ASenhora das Cartas' até 7 demaio, no Sesc VilaMariana
Atriz Beatriz Segall fica em cartaz com 'A Senhora das Cartas' até 7 de maio

O texto é um dos seis monólogos curtos, com duração entre 30 e 40 minutos, escritos pelo inglês Alan Bennet em 1987, para serem produzidos pela BBC de Londres. Araújo resolveu montar quatro deles no Brasil, em duas tomadas diferentes, com tradução de Clara Carvalho.

Na primeira parte, no mês de março, foram encenados os monólogos "A Sua Grande Chance" e "Uma Cama entre Lentilhas", com interpretação de Chris Couto e Clara Carvalho.

Na segunda tomada, em cartaz atualmente, além do monólogo "A Senhora das Cartas", interpretado por Segall, é apresentado também (antes) o monólogo "Fritas no Açúcar", com Brian Penido Ross, que faz o gênero pela primeira vez.

O ator interpreta um filho que, mesmo quarentão, ainda vive na barra da saia da mãe e morre de ciúmes quando ela arruma um namorado. "O texto é tão bom, que, se a gente não se atrapalhar, ele vai", diz Ross.

Tradução a conta gotas

"Assisti a uma montagem desses textos em Londres, em 1996. Aí, pedi à Clara [Carvalho] para traduzir, porque queria montar no Brasil. Esse processo demorou. Foram mais de dez anos de envolvimento até chegarmos aqui", conta o diretor.

"A tradução foi feita aos poucos. Minha preocupação era preservar a delicadeza melancólica do texto, tão rico e cheio de surpresas. Ao fim, me senti meio co-autora. Traduzi os seis monólogos. Ainda temos dois guardados", revela a atriz e tradutora Clara Carvalho.

Para Araújo, a dramaturgia de Bennet explora a faceta de uma parte bem específica da sociedade inglesa. "Ele mostra a vida suburbana, que são aquelas pessoas que estão próximas do grande centro. Seria uma espécie de classe média, com um padrão de vida razoável, que mostra suas frustrações. Se fosse aqui [São Paulo], ele escreveria sobre o Tatuapé [bairro da zona leste paulistana]", arrisca o diretor.

Temor

Durante a conversa com a Folha Online, Araújo revelou que teve medo ao fazer o convite a Segall.

"Achei que ela não fosse topar e me surpreendi quando ela disse: 'Eu quero fazer!', nem acreditei", ele conta. A atriz já tem no currículo outras duas participações em montagens do Tapa: "O Tempo e Os Conways" (1986), de J. B. Priestley, e "Do Fundo do Lago Escuro" (1997), de Domingos Oliveira.

A atriz explicou porque aceitou o convite. "Achei essa série de textos muito bem escrita. Eles falam com sutileza de uma solidão muitas vezes incompreendida, como é o caso de minha personagem. E, além de tudo, gosto de fazer comédia. Eu me divirto muito nesse espetáculo", diz Segall.

Retratos Falantes
Quando: terças e quartas, às 20h30 (até 7 de maio)
Onde: auditório do Sesc Vila Mariana (r. Pelotas, 141, Vila Mariana, São Paulo, SP; tel. 0/xx/11/5080-3000)
Quanto: R$ 20

 

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